Adriana Benetti Marques Valio, professora da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e pesquisadora do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), foi nomeada Diretora do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), centro de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A professora contou que recebeu a notícia de nomeação com muita honra e fortes emoções. Para ela esse reconhecimento vai além de sua trajetória pessoal, pois representa o trabalho coletivo construído ao longo de anos na UPM, no CRAAM e na comunidade astronômica brasileira: “Ser a primeira mulher a dirigir o LNA em seus quarenta anos de história é algo que me toca profundamente, devido ao que representa para tantas jovens pesquisadoras que estão construindo seus caminhos na ciência”.
O Laboratório Nacional de Astrofísica foi fundado em 1985 no Brasil, e desde então é considerado a principal infraestrutura de astronomia observacional do país. Sediado em Itajubá (MG), o LNA opera o Observatório Pico dos Dias (OPD), que abriga o maior telescópio em solo brasileiro.
Adriana destacou que o CRAAM a formou como pesquisadora e gestora científica, devido a história do centro como pioneiro na radioastronomia e nas ciências espaciais do Brasil, a unidade exigiu que a pesquisadora operasse em ambientes de colaboração intensa com parcerias de longa data com instituições nacionais e internacionais. “Essa experiência de trabalhar em um ambiente multidisciplinar, de desenvolver instrumentação, de coordenar equipes e de manter parcerias de longo prazo é exatamente o que o LNA exige de sua direção”, disse.
A pesquisadora ainda explicou que a astronomia brasileira se encontra em um momento singular, graças a importantes investimentos em curso, como a modernização do OPD com novos telescópios robóticos e a participação do Brasil em consórcios internacionais. Para ela, o maior desafio é garantir que essa infraestrutura se transforme em excelência científica, sobretudo, para que inspire as novas gerações de pesquisadores. “A oportunidade está justamente aqui, nunca tivemos tantas condições de colocar a astronomia brasileira em um patamar verdadeiramente competitivo no cenário global”, contou.
A professora evidenciou que o Mackenzie foi fundamental para a construção de sua carreira, a partir do comprometimento com a formação humana e a liberdade de pesquisa, ela desenvolveu habilidades de liderança enquanto era coordenadora do programa de pós-graduação em Ciências e Aplicações Geoespaciais. “A convivência com alunos de graduação e pós-graduação ao longo de tantos anos me ensinou que ciência se faz com pessoas, e que liderar é, antes de tudo, criar condições para que outros possam desenvolver seu melhor”, destacou a docente.
Para finalizar Valio explicou que espera construir um legado de protagonismo cada vez maior na astronomia nacional e internacional para o LNA, a partir de três pilares: o primeiro sendo uma produção de ponta, com uma pesquisa competitiva; o segundo é a formação de recursos humanos qualificados, para garantir que o laboratório continue sendo um espaço de crescimento de novos pesquisadores; e o terceiro é a divulgação da astronomia para a sociedade, com o objetivo inspirar pessoas de todas as idades.
“Uma sociedade que olha para o céu com curiosidade e compreensão é uma população mais preparada para os desafios do futuro”, concluiu Adriana.






