A prosperidade coletiva e o desenvolvimento de negócios

Prof. Dr. Adilson Caldeira Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e docente do Mestrado Profissional em Administração do Desenvolvimento de Negócios da Universidade Presbiteriana Mackenzie

26.11.201814h42 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Prof. Dr. Adilson Caldeira Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e docente do Mestrado Profissional em Administração do Desenvolvimento de Negócios da Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Escola Austríaca de Economia se caracteriza pelo pressuposto fundamental de que a riqueza representa um acúmulo de valor produzido pela prosperidade de indivíduos ou agrupamentos sociais. Segundo essa ótica, estabelece-se uma relação direta entre incrementos de prosperidade, notados pelo aumento das condições favoráveis ao bem-estar, e o acúmulo de riqueza. Afinal, se um indivíduo não consegue acumular riqueza e mantém sua condição econômica estagnada ao longo da vida, sua condição de bem-estar não evolui.

A riqueza também pode ser vista como como fonte de prosperidade para agrupamentos sociais. Se em um grupo busca-se a redução de desigualdade entre seus membros por meio de subsídio dos indivíduos mais prósperos aos menos prósperos, cria-se um efeito coletivo nulo, em que o aumento da prosperidade de quem recebe ocorre em contrapartida à redução equivalente de quem doa, de forma que o nível de prosperidade do grupo se mantém.

Um efeito paralelo a essa nulidade da evolução da prosperidade coletiva, é a falta de estímulo ao acúmulo de riqueza individual, uma vez que, distribuída, ela não gerará prosperidade. Do outro lado, os indivíduos subsidiados não serão incentivados a acumular riqueza, uma vez que se o fizerem deixarão de receber os subsídios e passarão a doá-los.

Em suma, medidas distributivas não geram prosperidade e tendem a reduzir a riqueza acumulada, causando a redução da prosperidade coletiva. Interpretada por alguns como solução para a redução de desigualdades sociais, a distribuição pode conduzir uma sociedade inteira ao caos e à pobreza, conforme se observa em exemplos de resultados da adoção dessa política em alguns países.

Apesar disso, o acúmulo de riqueza com finalidade exclusiva de prosperidade individual traz consigo uma conotação de egoísmo. Se a distribuição via doação não traz a prosperidade coletiva, como fazer para promovê-la? Uma resposta possível é aplicar a riqueza acumulada em atividades produtivas, que ampliem a oferta de soluções demandadas pela sociedade, sob a forma de produtos e serviços dos quais ela necessita, disponibilizando-as a preços acessíveis e aumentando o poder de compra de cada indivíduo, oferecendo-lhe oportunidades de rendimento com seu trabalho, proporcionando, assim, condições para a promoção da qualidade de vida da população, em geral.

Investida em arranjos produtivos, com aumento da disponibilidade de itens essenciais, tais como comida, roupas, habitação e saúde, a riqueza tende a prover condições favoráveis à redução de custos e, consequentemente, de preços, de modo a promover as condições necessárias para que os indivíduos prosperem.

Esse é o raciocínio adotado como referência para o processo decisório estratégico nos negócios. Os compêndios dedicados ao estudo de práticas gerenciais utilizam o termo “estratégia” com o significado de um meio para a conquista de vantagens, baseado em suposições e hipóteses sobre as tendências evolutivas do mercado e como essa evolução pode ser explorada para melhor aproveitamento dos recursos, de modo a proporcionar a prosperidade nos negócios. Em princípio, revela-se como condição essencial para o desenvolvimento de uma organização que seus administradores procurem continuamente conhecer os desafios determinados pelos cenários que se apresentarão no presente e no futuro e, a partir dessa consciência, identificar oportunidades de desenvolvimento, revendo o modelo de negócios para viabilizar seu aproveitamento.

A identificação de oportunidades dessa natureza constitui um caminho para a criação de valor superior ao dos concorrentes, conduzindo a uma situação futura melhor do que a presente, o que configura desenvolvimento, ou seja, ampliação da prosperidade. Tal desenvolvimento pode se alavancado pela inovação em produtos, serviços, recursos e capacidades, processos, modelos de negócio, criação de novas dimensões de produtos e abordagens de mercado, que atendam, de forma diferenciada, as expectativas do universo de clientes já existentes e também dos que podem passar a adquirir os produtos e serviços que são ou serão oferecidos pela empresa.

Assim sendo, o investimento da riqueza gerada em atividades produtivas no desenvolvimento e aquisição de recursos, tecnologia, capacidades, processos e estrutura, utilizados para o aproveitamento de oportunidades, vai além de beneficiar uma organização específica. Os benefícios potenciais estendem-se à comunidade em que ela se insere, considerando que o desenvolvimento econômico e social é diretamente afetado pela prosperidade dos negócios que atendem às necessidades de seus integrantes.

Proporcionar condições que ampliam a eficiência e eficácia de um negócio, com redução de custos, otimização do uso de recursos e fortalecimento da viabilidade econômico-financeira, traz como consequência o favorecimento ao consumidor por lhe possibilitar a disponibilidade de bens e serviços que satisfazem suas necessidades e desejos, de modo a contribuir para a evolução da qualidade de vida, como meio de utilização de riqueza para ganhos coletivos de prosperidade.