250 anos de A Riqueza das Nações: por que Adam Smith ainda importa — inclusive no Brasil

27.02.202610h40 Allan Augusto Gallo Antonio

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250 anos de A Riqueza das Nações: por que Adam Smith ainda importa — inclusive no Brasil

Em 2026, completam-se 250 anos da publicação de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, obra lançada em 1776 e considerada o marco fundador da economia moderna. Mais do que um clássico, trata-se de um livro que continua oferecendo instrumentos analíticos para compreender dilemas centrais do presente, inclusive no contexto brasileiro.

Entre suas contribuições mais conhecidas está a ideia de divisão do trabalho. Ao demonstrar que a especialização eleva drasticamente a produtividade, como se observa tanto no exemplo da fábrica de alfinetes quanto na complexa cadeia de produção de um simples casaco de lã, Smith evidenciou que sociedades podem prosperar sem coordenação centralizada, apoiando-se na cooperação descentralizada e nas trocas voluntárias. Em um país como o Brasil, ainda marcado por baixa produtividade e por excessiva fragmentação regulatória, essa lição permanece plenamente atual.

Outro eixo central do livro é a defesa dos mercados e do comércio, uma vez mais que para Smith, ampliar trocas não é um jogo de soma zero, mas um mecanismo de geração de riqueza compartilhada. A experiência brasileira com integração comercial limitada, gargalos logísticos e infraestrutura deficiente ajuda a ilustrar, por contraste, o custo econômico de ignorar esse princípio.

Celebrar os 250 anos de A Riqueza das Nações é, portanto, mais do que reverenciar um autor, pois implica reconhecer que muitos dos desafios brasileiros, como o crescimento lento, a má alocação de recursos e os entraves institucionais, já haviam sido diagnosticados, em essência, há dois séculos e meio. Retornar a Adam Smith, nesse contexto, não constitui um exercício de nostalgia acadêmica, mas um gesto de lucidez econômica.

Allan Gallo. Professor de Economia na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.