O Instituto Mackenzie de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias (MackGraphe), do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), acaba de receber um novo reforço para o time de pesquisadores: o professor Marcelo Barreto, especialista em agropecuária e agronegócio. Ele chega para fundamentar e ampliar os estudos da área relacionados com nanotecnologia.
Considerado um setor chave na economia brasileira, a agropecuária corresponde a quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Em 2025, o setor bateu recorde de exportações com mais de US$ 169,2 bilhões, o que colocou o país como o 3º maior exportador mundial de produtos agropecuários, segundo o site do governo brasileiro.
O tamanho da agropecuária e a relevância para a economia do país explicam a busca cada vez mais inerente por tecnologias voltadas para o setor. Em um mundo cada vez mais conectado e moderno, investir em um aparato tecnológico significa ampliar a produção, aumentar as vendas e fazer crescer a riqueza dessa área.
De acordo com Barreto, o setor demanda cada vez mais tecnologias com o objetivo de aumentar a segurança alimentar global, sustentabilidade ambiental, capacidade de produzir energia limpa, fibras, proteína animal e vegetal. “O mercado global é muito diversificado e exigente. Tudo isso faz com que o Agro não pare de se reinventar”, afirma.
Ele aponta alguns temas estratégicos nas pesquisas relacionadas ao agro: reduzir a dependência do Brasil de insumos externos, como fertilizantes e diesel; aumentar a eficiência da produção agrícola, ou seja, produzir mais e melhor, com menos uso do solo, água e defensivos; e recuperar área degradadas, especialmente aquelas que, no passado, eram destinadas à pecuária extensiva.
Neste cenário, o MackGraphe e os estudos desenvolvidos por Marcelo Barreto se tornam fundamentais. Pesquisador na área de epidemiologia e manejo de doenças de plantas, desenvolvimento e posicionamento de produtos fitossanitários e fitoterápico, ele irá relacionar suas especialidades com a nanotecnologia.
“Temos uma aproximação dentro da área de curativos inteligentes, em que trouxemos experiência que obtivemos trabalhando plantas medicinais. Além disso, participamos na construção de um projeto sobre detecção de estresse na cultura de cana-de-açúcar, que foi enviado a uma agência de fomento e, uma vez aprovado, teremos a oportunidade de integrar à equipe”, indica o pesquisador.
Outra área atuação será na relação entre agropecuária e o grafeno. “Já existem dados que apontam que o grafeno pode contribuir efetivamente na melhoria do uso de fertilizantes na agricultura, reduzindo a quantidade de produto aplicada no solo e melhorando sua absorção pelas plantas”, assinala ele.
Além da demanda por tecnologias, os atuais conflitos globais geram uma demanda por novas soluções para continuar a produção econômica. Neste cenário, a pesquisa do MackGraphe adquire uma importância sem precedentes. “O conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe à tona a dependência brasileira de fertilizantes importados. Compósitos derivados do grafeno podem contribuir para mitigar este problema, a favor de uma agricultura mais sustentável”, diz Barreto.
Para o diretor do MackGraphe, Benedito Aguiar, apesar do Brasil ser um dos maiores produtores agropecuários do mundo, existe uma lacuna no desenvolvimento de tecnologias avançadas que podem nos tornar ainda mais competitivos no cenário global e o centro de pesquisa do mackenzie já possui uma base que pode ser utilizada para a identificação precisa dos problemas relacionados e a busca de soluções.
“O uso do grafeno é um dos caminhos a serem seguidos, pelo desenvolvimento de tecnologias inovadoras que permitem o uso controlado e inteligente de nutrientes ou defensivos, seja utilizando-se estruturas multifuncionais para liberação controlada ou sensores específicos”, destaca Aguiar.
Marcelo Barreto está em seus primeiros passos no MackGraphe, mas já está em busca e aberto a novos parceiros, especialmente “empresas que atuam no setor agropecuário que demandem novos processos para os quais as tecnologias desenvolvidas no MackGraphe podem ser aplicadas”, finaliza ele.
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