Outubro Rosa: novas drogas mudam cenário do tratamento do câncer de mama

Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos por ano até 2028; avanços em terapias para tumores luminais, HER2 e triplo-negativos ampliam as possibilidades para pacientes

06.10.202612h38 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Outubro Rosa: novas drogas mudam cenário do tratamento do câncer de mama

O câncer de mama está diante de uma nova fronteira no tratamento. A chegada de medicamentos mais modernos e de estratégias terapêuticas capazes de agir de maneira cada vez mais direcionada contra as células tumorais está ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes com diferentes tipos da doença. As novidades ganham destaque neste Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização, à prevenção e ao combate ao câncer de mama.

No Brasil, a dimensão do problema continua expressiva. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no país no triênio 2026-2028, fazendo da doença o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, depois dos tumores de pele não melanoma. No mundo, foram aproximadamente 2,3 milhões de novos casos e 666 mil mortes por câncer de mama em 2022, segundo dados da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) e professora da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR), Dra. Fernanda Ronchi, o cenário atual é marcado por uma combinação de diagnóstico mais preciso, conhecimento sobre os diferentes subtipos da doença e novas opções de medicamentos.

“Tivemos bastante atualização neste ano no tratamento do câncer de mama, com a chegada de novas drogas e novas estratégias. Isso é muito importante porque conseguimos tratar os diferentes tipos de câncer de mama de maneira cada vez mais individualizada, escolhendo a terapia de acordo com as características do tumor de cada paciente”, afirma.

Medicamentos mais inteligentes e direcionados

Uma das principais novidades está no tratamento do câncer de mama luminal, o subtipo mais frequente da doença e que apresenta receptores hormonais positivos. No cenário metastático, quando o câncer já se disseminou para outros órgãos, uma das inovações é o datopotamab deruxtecan, integrante de uma classe de medicamentos conhecida como conjugados anticorpo-fármaco, ou ADCs.

A tecnologia combina um anticorpo capaz de reconhecer características específicas das células tumorais com uma substância quimioterápica. O objetivo é fazer com que a quimioterapia seja transportada de maneira mais direcionada até o tumor.

“É como se tivéssemos um veículo que leva a quimioterapia até onde ela precisa atuar. Dessa forma, conseguimos aumentar a concentração do medicamento no tumor e reduzir a exposição de outros tecidos, o que pode melhorar a eficácia e diminuir alguns efeitos colaterais”, explica Dra. Fernanda.

A estratégia também está sendo estudada e aguardada para ampliar sua utilização em pacientes com câncer de mama triplo-negativo, um dos subtipos mais agressivos da doença e que apresenta características biológicas diferentes dos tumores hormonais e HER2 positivos.

Outra novidade para os tumores luminais é o imlunestranto, nova opção de terapia hormonal oral que atua no bloqueio do estímulo hormonal responsável pelo crescimento de determinados tumores. A chegada de medicamentos desse tipo representa mais uma alternativa para pacientes que precisam de tratamento sistêmico para doença avançada.

HER2: medicamento ganha novas possibilidades

As novidades também alcançam o câncer de mama HER2 positivo, caracterizado pela presença aumentada da proteína HER2 nas células tumorais. O trastuzumabe deruxtecano (T-DXd), medicamento já disponível no Brasil, passou a ter novas indicações, ampliando seu papel no tratamento. A terapia pode ser utilizada em diferentes momentos da jornada da paciente, incluindo situações de doença metastática e determinados cenários da doença inicial.

“O trastuzumabe deruxtecano já era uma medicação importante no tratamento do câncer de mama HER2. Agora, com as novas indicações, conseguimos utilizá-lo em diferentes momentos, inclusive na doença inicial, antes e depois da cirurgia, além do cenário metastático. Isso amplia muito as possibilidades de tratamento”, destaca a médica.

Segundo a oncologista, a evolução mostra uma mudança importante na forma como a doença é tratada. “Hoje, quando falamos em câncer de mama, estamos falando de várias doenças diferentes. Conhecer o subtipo molecular é fundamental para definir o tratamento. A tendência é cada vez mais personalizar a terapia e evitar que a paciente receba um tratamento que não seja o mais adequado para o seu tumor”, ressalta.

Diagnóstico precoce ainda faz diferença

Mesmo com a evolução dos medicamentos, o diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para aumentar as chances de cura. O INCA estima que 78,6 mil brasileiras sejam diagnosticadas com câncer de mama a cada ano entre 2026 e 2028. Em 2024, o país registrou 20.849 mortes pela doença, segundo dados do Instituto.

A recomendação atual do Ministério da Saúde para o rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS) prioriza a realização de mamografia a cada dois anos para mulheres a partir dos 40 anos de idade. Para mulheres fora dessa faixa etária ou com fatores de risco específicos, a avaliação deve ser individualizada por um profissional de saúde.

Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo aproximadamente 4 milhões destinadas ao rastreamento de mulheres sem sinais ou sintomas da doença.

“O diagnóstico precoce continua sendo fundamental. Quanto mais cedo identificamos um câncer de mama, maiores são as possibilidades de tratamento e de cura. Mas também precisamos reforçar que, mesmo nos casos avançados, o cenário mudou muito. Hoje temos medicamentos que permitem controlar a doença por períodos cada vez maiores e oferecer qualidade de vida às pacientes”, afirma Fernanda.

Outubro Rosa: informação também salva vidas

Criado para ampliar a conscientização sobre o câncer de mama, o Outubro Rosa coloca em evidência não apenas a importância dos exames, mas também a necessidade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Para a especialista do HUEM e professora da FEMPAR, a informação é parte fundamental desse processo.

“O Outubro Rosa é uma oportunidade para falar sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. É importante que as mulheres conheçam o próprio corpo, estejam atentas a alterações e procurem atendimento quando houver qualquer sinal de alerta. E também é importante mostrar que, quando o câncer é diagnosticado, temos hoje muito mais ferramentas para enfrentá-lo”, conclui a oncologista.