O jornalismo tradicional está entrando em extinção?

Entenda como o consumo de notícias pelas redes sociais impacta o jornalismo e o pensamento crítico

16.04.202617h54 Guilherme Fonseca, sob orientação de Bruno Carvalho

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O jornalismo tradicional está entrando em extinção?

O modo de consumir informações passou por uma mudança drástica nos últimos anos com a inserção da internet nos meios de comunicação. Esse processo se intensificou especialmente com o crescimento das redes sociais, que se tornaram um dos principais meios de acesso às notícias na atualidade. Nesse cenário, o Brasil se destaca como um dos países que mais consomem informação por meio dessas plataformas.

Entre as redes sociais mais utilizadas pelo público estão o TikTok, o Instagram e o Facebook. De acordo com um relatório da Comscore, empresa norte-americana especializada em análise de dados da internet, o Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de conteúdo do mundo, com cerca de 131 milhões de visitantes registrados em dezembro de 2024.

Segundo José Antonio Lima, professor do curso de Jornalismo do Centro de Comunicação e Letras (CCL) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), os brasileiros consomem mais notícias pelas redes sociais do que pelos meios tradicionais devido a diversos fatores, como a ampla presença de smartphones no cotidiano da população, o que facilita o acesso a essas plataformas. “Precisamos ter em mente que as instituições midiáticas vivem uma crise muito profunda. Essa crise tem um aspecto tecnológico e econômico, pois a internet e as redes sociais implodiram o sistema de financiamento tradicional da mídia, e a linguagem de difícil compreensão afasta o público dos veículos jornalísticos convencionais”, afirmou.

Os impactos desse cenário na formação do pensamento crítico dos usuários são significativos. De acordo com o professor, a internet e as redes sociais tendem a confinar os indivíduos em “bolhas informativas”, criadas a partir da lógica dos algoritmos, que passam a oferecer continuamente conteúdos alinhados aos interesses do usuário. “O resultado disso é uma exposição cada vez menor ao contraditório, o que compromete a capacidade de debate”, explicou.

Além disso, o professor destaca que houve uma perda da mediação editorial, o que faz com que as pessoas consumam notícias por meio de links isolados nas redes sociais, muitas vezes sem a devida contextualização histórica ou geopolítica. “Isso deixa o cidadão à mercê de narrativas simplistas ou de desinformação. Tudo isso impacta diretamente a cidadania e a qualidade da democracia”, declarou.

O professor afirma ainda que as redes sociais capturaram a maior parte das receitas publicitárias e fragmentaram a atenção da audiência, o que tem provocado uma precarização do jornalismo como um todo. Como consequência, esse cenário gera impactos diretos no debate público brasileiro e na qualidade da democracia. Diante disso, impõem-se uma série de desafios tanto para o jornalismo quanto para a sociedade em geral. “Precisamos encontrar soluções para isso. Há uma série de elementos em debate, mas o horizonte próximo não parece muito promissor”, finalizou.