O episódio especial do MackCast, podcast do MackPlay apresentado por Osmar Guerra, reuniu especialistas para discutir o Oscar 2026 e os bastidores da indústria cinematográfica. A convidada especial foi a jornalista e crítica de cinema Flávia Guerra, colunista da Rádio BandNews FM, que participou da conversa ao lado dos professores Hugo Harris, coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), e Fábio Silvestre, professor dos cursos de Cinema e Jornalismo.
Durante o episódio, Flávia compartilhou como sua relação com o cinema começou ainda na infância, marcada pelo impacto emocional das primeiras experiências como espectadora. “Eu senti muito a potência do cinema quando vi Tubarão na televisão. Eu não dormi a noite inteira. Aquilo tinha um poder tão imenso”, contou.
Esse interesse evoluiu para uma carreira consolidada no jornalismo cultural e na crítica cinematográfica. Segundo ela, o fascínio não estava apenas nos filmes, mas também nos bastidores. “Eu queria trazer essa cultura, não só ver o filme, mas saber mais sobre o cinema. Foi aí que decidi que queria fazer isso sendo jornalista”, explicou.
O cinema como experiência e formação
Os professores convidados também refletiram sobre suas próprias trajetórias e o papel do cinema na formação cultural. Para Hugo Harris, o contato inicial veio por meio do videocassete. “Tudo começou quando chegou o videocassete na minha casa. Com alguns filmes, comecei a assistir e a ir à locadora para pegar outros. Aos pouquinhos, fui tomando gosto. Assistia aos filmes e me interessava por um ator, uma atriz ou um diretor, e pensava: bom, vou ver outras coisas que essa pessoa fez. E aí ia aumentando o número de filmes que eu assistia até o momento em que falei: é isso que eu tenho que fazer da minha vida”, relembrou.
Já Fábio Silvestre destacou o impacto da experiência coletiva proporcionada pelas salas de cinema. “O cinema entrou na minha vida quando, em 1991, minha irmã me levou ao cinema para assistir a um filme chamado Robin Hood. Eu já tinha assistido a filmes antes em casa, mas no cinema mudou tudo, toda a experiência. E, desde então, sempre que posso, assisto a um filme no cinema, tela grande”, afirmou.
Oscar 2026 e a força da diversidade nas indicações
Ao analisar os indicados ao Oscar 2026, Flávia destacou a diversidade estética e geográfica como um dos pontos mais interessantes da premiação. Segundo ela, o conjunto de filmes reflete uma indústria em transformação. “Eu gosto muito dessa mistura. Temos diretores de diferentes países, filmes com questões políticas, sociais e pessoais. Isso mostra como o cinema está cada vez mais plural”, disse.
Ela também explicou que a qualidade artística é apenas o primeiro passo para que um filme chegue às principais premiações. “Fazer um bom filme é só a primeira coisa. Existe todo um processo, como uma caixinha de música, em que você precisa encaixar as peças certas, participar de festivais, ter uma boa distribuição e fazer com que as pessoas vejam o filme”, explicou.
Flávia ainda destacou que o principal objetivo de uma campanha é ampliar o alcance da obra. “O que os realizadores querem é que as pessoas vejam o filme. A partir daí, elas podem gostar ou não, mas o contato é essencial.”
O papel da crítica e a construção de uma carreira
Durante o episódio, a jornalista também falou sobre sua atuação como votante no Globo de Ouro e reforçou a responsabilidade envolvida nesse processo. Segundo ela, o trabalho exige independência, ética e um profundo conhecimento da indústria.
Além disso, destacou que o cinema continua sendo uma forma poderosa de expressão cultural e política. Para os participantes, as premiações refletem não apenas tendências artísticas, mas também transformações sociais e mudanças no próprio mercado audiovisual.
Ao longo da conversa, o episódio evidenciou o papel da crítica, da formação acadêmica e da experiência profissional na compreensão do cinema contemporâneo.
Em entrevista concedida após a gravação do MackCast, Flávia aprofundou a reflexão sobre formação profissional e destacou a importância do repertório para quem deseja atuar no audiovisual ou na crítica.
“Quem faz audiovisual, para além das questões técnicas, tem que ter repertório. E ganhar repertório não é só distração, é formação”, afirmou. Para ela, a universidade é fundamental, mas não encerra o processo formativo: “a faculdade mostra muita coisa, obviamente, mas nada se encerra só na universidade. Corra atrás de tudo o que você puder aprender, comparar e ler, não só assistir.”
Flávia também alertou para um erro comum entre iniciantes, analisar apenas produções contemporâneas, sem dialogar com a tradição cinematográfica e literária. “Eu vejo muito a galera que está começando meio que dispensando o repertório porque analisa só o filme de agora. Se você está na área, não tem que ‘preferir’ não ler o livro ou não ver versões anteriores. Você tem que pesquisar a área.”
Segundo ela, o olhar profissional exige responsabilidade: “o seu olhar não é só de fã. É também, mas não só. Não é gostar ou não gostar, analisar é diferente.”
Sobre o momento vivido pelo cinema brasileiro, Flávia comentou: “eu acho que a gente vive, sim, um momento de reconstrução. O que precisa ser consolidado é que as nossas leis de incentivo, nosso Ministério da Cultura e nosso fundo setorial não fiquem ameaçados. Eles precisam ganhar, institucionalmente, uma força e uma estabilidade que os blindem de correntes políticas. Temos que nos blindar de correntes políticas, porque cultura não é questão de opção ou lado político. É questão de política de país. Para além de para que lado a pessoa vá politicamente, cultura é para todos.”
Assista ao episódio completo do MackCast aqui.






