A comemoração dos 10 anos do MackGraphe, Instituto Mackenzie de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias, do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), contou com a palestra “Oportunidades de Apoio e Desafios da Cadeia de Inovação no Brasil”, ministrada pelo presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antônio Elias. Durante o encontro, o economista apresentou reflexões sobre os desafios da inovação no país, o cenário geopolítico internacional e a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento(PD).
Elias destacou a importância estratégica da ciência e da inovação em um contexto global marcado por transformações aceleradas. “Como é que o Brasil pode sair do patamar de coadjuvante para protagonista nessa relação direta a nível mundial?”, questionou o presidente da Finep ao abordar temas como emergência climática, inteligência artificial, robótica avançada, biotecnologia e transição energética.
Segundo ele, o país ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar sua competitividade tecnológica. O professor citou dados que mostram que apenas 5% da pauta de exportação brasileira possui alta intensidade tecnológica, enquanto que cerca de 60% está concentrada em recursos naturais. “Nós temos que mudar esse jogo”, afirmou.
Durante a palestra, Luiz Antônio também apresentou ações implementadas pelo Governo Federal para fortalecer o setor de ciência, tecnologia e inovação. Entre elas, destacou o descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a ampliação do crédito para inovação e a capitalização da Finep. “Nunca antes na história desse país tivemos um recurso tão significativo aportando quer no não reembolsável, para impulsionar as instituições científicas, quer junto ao setor empresarial”, declarou.
Elias ressaltou, ainda, que a Finep vem ampliando o apoio a universidades, centros de pesquisa e empresas inovadoras em diversas áreas estratégicas, como saúde, bioeconomia, agricultura, mobilidade urbana, inteligência artificial e energia limpa. Segundo ele, somente nos últimos anos foram contratados cerca de R$ 47 bilhões em recursos voltados para mais de 5,5 mil projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Ao longo da apresentação, o economista reforçou a necessidade de maior participação do setor industrial nos investimentos em inovação. “O setor industrial precisa pensar que é preciso ousar. É preciso sair de um procedimento apenas incremental e olhar o desafio do risco do conhecimento”, afirmou. Para Elias, o Brasil precisa ampliar sua capacidade de pesquisa para acompanhar as mudanças globais impulsionadas por tecnologias como inteligência artificial, tecnologia quântica e automação.
O dirigente também destacou o papel das universidades e dos centros de pesquisa no fortalecimento das cadeias de inovação. Ao mencionar o MackGraphe, afirmou que o centro representa “um excelente exemplo de um laboratório que pode ser apoiado e impulsionado” por atuar de forma disruptiva na fronteira do conhecimento.
Encerrando sua participação, o professor defendeu que a agenda de pesquisa e desenvolvimento seja tratada como estratégica para o futuro do país. “Temos que olhar esta razão PD/PIB de forma diferente. Temos que olhar a dimensão desta relação Brasil na inserção da sua cadeia internacional de forma diferenciada”, disse. Para ele, investir em inovação é essencial não apenas para o crescimento econômico, mas também para promover qualidade de vida e preparar o país para os desafios climáticos e tecnológicos das próximas décadas.
Ao final da palestra, o presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), Hesio Cesar de Souza Maciel, agradeceu a presença de Elias e destacou o compromisso da instituição com a inovação. “O Mackenzie é uma das dez mais antigas instituições educativas do Brasil, vai completar 156 anos neste 2026, e o nosso desafio é não envelhecer”, afirmou.
Hesio também relembrou a criação do MackGraphe como um marco importante para a universidade. “O MackGraphe foi um grande desafio para o Mackenzie. Temos aqui alguns ex-presidentes da instituição que trabalharam ativamente com coragem para isso”, declarou, reforçando ainda o interesse do Mackenzie em ampliar futuras parcerias com a Finep.








