Com a proximidade do Dia dos Pais, celebrado no segundo domingo de agosto, cresce a oportunidade para refletir sobre o papel da família na formação de crianças e adolescentes. Mais do que oferecer boas oportunidades de estudo e atividades extracurriculares, a presença, o diálogo constante e o exemplo dentro de casa estão entre os principais investimentos que pais e mães podem fazer na educação dos filhos.
Essa é a reflexão proposta por Valéria Duarte Guedes, professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília (CPMB). Segundo a educadora, o maior investimento que uma família pode fazer não está relacionado apenas à estrutura oferecida aos filhos, mas ao tempo de qualidade, ao cuidado e ao relacionamento construído no cotidiano.
"Não basta mostrar o caminho, é preciso caminhar junto enquanto é tempo, para que a caminhada se torne suave", explica a professora.
Para Valéria, estar presente significa participar da vida dos filhos de forma intencional. Mais do que compartilhar o mesmo espaço, é necessário construir experiências que transmitam segurança, afeto e pertencimento, criando memórias capazes de acompanhar crianças e adolescentes ao longo da vida.
Outro aspecto fundamental é a maneira como pais e filhos se comunicam. A professora explica que palavras de afirmação, reconhecimento e incentivo fortalecem a autoestima e contribuem para o desenvolvimento emocional saudável, enquanto críticas constantes podem produzir insegurança e dificultar a construção da autoconfiança.
"O diálogo é o princípio de tudo. Precisamos, constantemente, nos perguntar qual é o objetivo de uma conversa com nossos filhos", destaca.
Na avaliação da educadora, orientar não significa apenas estabelecer regras. Fazer perguntas, ouvir atentamente, reconhecer os sentimentos dos filhos e corrigir com respeito tornam a educação mais eficaz e fortalecem a relação de confiança dentro da família.
O exemplo dado pelos pais também exerce papel decisivo na formação dos filhos. Segundo Valéria, crianças e adolescentes aprendem muito mais ao observar atitudes do que apenas ao ouvir recomendações.
"Os filhos precisam aprender a admirar os pais pelo que fazem, pela forma de agir, pois as palavras convencem, mas os exemplos arrastam", expõe Valéria.
A professora ressalta ainda que educar envolve preparar os filhos para fazer escolhas conscientes e compreender que toda decisão traz consequências. Nesse processo, os pais devem estimular talentos, valorizar as potencialidades individuais e acompanhar o amadurecimento dos filhos, sem assumir por eles responsabilidades que fazem parte do crescimento.
Para Valéria, reconhecer os próprios erros também faz parte da missão de educar. Demonstrar humildade, pedir perdão quando necessário e manter o relacionamento baseado no amor e na confiança contribuem para o fortalecimento dos vínculos familiares.
"Pais não são super-heróis. São humanos passíveis a erros e acertos, que veem os filhos como heranças de Deus, carentes de cuidado diário e acompanhamento constante", diz.
Ao abordar a educação sob uma perspectiva cristã, a professora destaca que instruir os filhos é caminhar ao lado deles, oferecendo direção, apoio e amor em cada etapa da vida. "Não há investimento maior que, andando no caminho, dizer sempre 'meu filho', reafirmando o valor que tem em nossas vidas, e assim, impulsionar o amor e a coragem que há nele."
Para ilustrar a importância de expressar amor e reconhecimento aos filhos, Valéria lembra o relato do batismo de Jesus, registrado nos Evangelhos, quando uma voz do céu declara: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo". Para a educadora, a passagem evidencia o impacto que palavras de afirmação podem ter na construção da identidade e da confiança dos filhos.




