Guerras e conflitos sempre estiveram presentes ao longo da história da humanidade, motivados por disputas territoriais, ideológicas e econômicas. Além dos impactos diretos sobre as populações envolvidas, essas crises afetam de forma significativa a economia global, atingindo tanto países em guerra quanto aqueles que não participam diretamente dos confrontos.
No Oriente Médio, as tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos já provocaram elevação nos preços do petróleo e do gás natural. Um exemplo relevante é o Catar, onde entre 20% e 25% da capacidade de exportação de GNL (Gás Natural Liquefeito) foi afetada, com partes da produção sendo totalmente suspensas.
Segundo a professora de relações internacionais Fernanda de Castro Brandão, da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio (FPM-Rio), os países envolvidos em guerras enfrentam diversos impactos econômicos, especialmente nos fluxos de comércio. A ameaça de ataques e bombardeios dificulta a continuidade das exportações e importações. “A interrupção do comércio gera perdas econômicas para as empresas exportadoras, provoca escassez de recursos no mercado doméstico e resulta em inflação.”, explica.
Os efeitos, no entanto, não se limitam às regiões em conflito. Eles se espalham pela economia global, elevando os custos de frete e de seguros internacionais, o que encarece produtos importados e aumenta a pressão inflacionária em diversos países. Ao mesmo tempo, há uma migração de investimentos para mercados considerados mais seguros, o que pode prejudicar nações em desenvolvimento, mais dependentes desses recursos para crescer. Por outro lado, países distantes das zonas de conflito podem se beneficiar ao ganhar espaço no mercado internacional. “Alguns países podem ampliar suas exportações justamente por estarem fora das áreas de risco.”, afirmou.
No caso brasileiro, os impactos são sentidos principalmente pela dificuldade de acesso a insumos essenciais provenientes de regiões em guerra. A recente tensão no Estreito de Ormuz aumentou as preocupações com o fornecimento de fertilizantes, fundamentais para o agronegócio. A possível redução na oferta pode elevar os custos de produção e comprometer as próximas safras, dificultando o planejamento do plantio.
Apesar dos desafios, o Brasil também pode encontrar oportunidades nesse cenário. O país pode se consolidar como fornecedor alternativo de bens estratégicos, como petróleo, gás e alimentos. Além disso, seu papel diplomático como potência emergente, voltada à negociação e à cooperação internacional, pode ser decisivo para a construção de acordos de paz e para a estabilidade global. “Resgatar a estabilidade política internacional é fundamental para a prosperidade econômica global”, conclui a professora.



