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SAFIEL: um novo modelo de gestão para o futebol brasileiro

Proposta de SAF controlado pela própria torcida do Corinthians é apresentado no Mackenzie  

15.04.202618h33 Comunicação - Marketing Mackenzie

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SAFIEL: um novo modelo de gestão para o futebol brasileiro

Desde 2021, o futebol brasileiro passou por uma grande mudança, com a assinatura da Lei de SAF, que passavam a permitir a criação de Sociedade Anônima de Futebol (SAF), o que alterou drasticamente o modelo de gestão de diversos clubes no país. Desde então, o debate sobre o tema inundou as redes sociais, dividiu torcidas e provocou uma grande discussão sobre formas e modelos de gerir um time de futebol.  
  
Neste cenário, uma proposta para criação de SAF do Corinthians tem chamado a atenção de torcedores, imprensa e aficionados do mundo da bola. A SAFIEL trata-se de um projeto de mudar profundamente a gestão alvinegra. Na última terça-feira, 14 de abril, os idealizadores da proposta estiveram na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) para apresentar e debater o projeto, suas implicações e desafios na palestra SAFIEL e a Nova Economia do Futebol Brasileiro
  
Na palestra, os alunos do Mackenzie conheceram as motivações do projeto, a linha do tempo desde a criação, o caminho percorrido pelos idealizadores e os desafios para implementar a proposta. Estudantes de diversos cursos da UPM tiveram uma aula sobre modelos de gestão no futebol e puderam se aprofundar na importância da governança administrativa no esporte. 
  
A SAFIEL é considerada um modelo inovador no futebol brasileiro, pois não prevê a compra por um acionista central, mas contaria com um modelo descentralizado e pulverizado de gestão. Trata-se de uma novidade, pois, desde o surgimento das primeiras SAF’s no Brasil, a maioria seguiu um “modelo de dono” em que algum empresário ou grupo de acionistas adquire a propriedade do clube de futebol.  
  
Botafogo, Cruzeiro, Vasco e Atlético-MG são alguns times que se encaixam nessa definição, mas que são fortemente criticados pelos idealizadores da SAF corinthiana. “Nós somos críticos dos modelos de SAF’s atuais pelas próprias características do Corinthians. Temos uma raiz no povo, de ser um time popular e que não aceitaria ter um dono”, explicou Eduardo Salusse, um dos idealizadores.  
  
De acordo com a proposta, o Corinthians seria transformado em SAF cujas ações poderiam ser adquiridas por torcedores alvinegros. Na prática, a própria torcida se tornaria “dona” do time, com a possibilidade de votar e decidir os rumos administrativos corinthianos. Na palestra, foram apresentadas as formas de aquisição e detenção das ações por torcedores e investidores.  
  
Atualmente, o clube associativo é que detém o controle do departamento de futebol, e gere os rumos alvinegros. No entanto, o clube paulista passa por uma série crise financeira: com uma dívida se aproximando de R$ 3 bilhões, o Corinthians tem se tornado assunto frequente em páginas policiais, por conta das intensas disputas políticas internas. Esse cenário, considerado por muitos como devastador, foi o pretexto para o lançamento do SAFIEL.  
  
Para Carlos Teixeira, outro idealizador, uma questão cara para os gestores é impedir a captura da SAF, por meio do acúmulo de ações. “São 12 instrumentos que impedem a captura por algum grupo, seja qual for. Por exemplo, há um limite de compra de ações por CPF e a distribuição de ações será necessariamente pulverizado, não haverá concentração de ações”, afirmou. Essas medidas impediriam que uma pessoa ou algum grupo pudesse se tornar o dono majoritário da SAF.  
  
Os idealizadores ressaltaram que o objetivo do projeto é garantir melhores práticas de gestão para o alvinegro paulista. “Para nós, é mais do que um projeto de um clube, é um projeto para uma sociedade. O futebol é um aspecto cultural do Brasil e ele encontra-se em um momento jurássico do ponto de vista de gestão”, disse Carlos Teixeira.   
  
Eduardo Salusse reiterou a necessidade do Corinthians passar por uma transformação, que garanta melhores práticas administrativas, traga mais tranquilidade para os torcedores e torne o alvinegro competitivo dentro de campo. “Existe um abismo entre as propostas da SAFIEL e do atual modelo associativo. Temos uma ideia de governança, de expansão e competição, enquanto o modelo associativo tenta a todo custo se manter no poder”, apontou. 
  
Salusse e Teixeira também apontaram que a combinação de torcedores e investidores na gestão do clube torna a SAFIEL uma inovação no futebol brasileiro. Para eles, o Corinthians possui uma enorme capacidade para atrair investimentos, mas desperdiça por conta das más decisões da atual gestão.     
  
“O Corinthians é uma das marcas com maiores potenciais de arrecadação do Brasil. É um potencial travado por falta de transparência, profissionalismo e governança. Eu tenho convicção de que a SAFIEL, livre das amarras iniciais, só fracassaria se passasse por uma verdadeira catástrofe”, apontou Salusse.  
  
O organizador da palestra, professor Norberto Gaudêncio, destacou o caráter multidisciplinar do evento, pois, além de reunir alunos de diversos cursos, a discussão passou por temáticas da Administração, Direito, Comunicação, Marketing etc. “A temática é multidisciplinar por natureza. Não é um evento clubístico, o Corinthians é apenas um estudo de caso, como algo novo a ser proposto no universo do futebol brasileiro”, disse.  
  
Gaudêncio também apontou que o esporte, além de ser um assunto caro para o Mackenzie, tem sido, cada vez mais, objeto de pesquisa, com professores e estudantes preocupados em pensar sobre o futebol e o esporte. 
  
A palestra realizada no Mackenzie com os idealizadores do SAFIEL contou com a mediação dos professores Wilson Nakamura, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), e Fernando Patara, do Centro de Comunicação e Letras (CCL). O diretor do CCSA, Claudio Parisi, também compareceu no evento.