Estudante do Mackenzie vence hackathon do MIT com filme que une programação e narrativa

Projeto LAPLACE.TRANSFORM, explora a complexidade do sentimentos humanos em um filme interativo

04.05.202616h16 Por Guilherme Fonseca, sob orientação de Jonathas Cotrim

Compartilhe nas Redes Sociais

Estudante do Mackenzie vence hackathon do MIT com filme que une programação e narrativa

A estudante Catarina Silva e Meirelles, do 3º semestre de Ciência da Computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conquistou reconhecimento internacional ao vencer a categoria Melhor Filme Interativo no Global AI Film Hackathon, promovido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Seu projeto, intitulado LAPLACE.TRANSFORM, se destaca por unir programação, narrativa imersiva e conceitos matemáticos em uma experiência interativa que transforma emoções humanas em linguagem matemática.

A ideia do projeto surgiu de uma reflexão pessoal da estudante sobre sua forma de lidar com sentimentos. Segundo Catarina, sua vivência na área de exatas a levava a tentar “equacionar” emoções como forma de controle. “Em um momento de introspecção, percebi que estava descrevendo situações humanas complexas como se fossem fórmulas matemáticas”, explica. Ao se deparar com o tema do hackathon, Open Your Eyes, encontrou em uma ferramenta matemática a metáfora ideal para traduzir essa visão.

A base conceitual do projeto está na Transformada de Laplace, ferramenta matemática que permite converter sinais do domínio do tempo para o da frequência. No contexto da obra, essa transição simboliza a tentativa da personagem de organizar o caos emocional em estruturas lógicas. “A personagem tenta se refugiar nesse universo matemático para fugir do caos, mas descobre que nenhuma fórmula é capaz de conter a imensidão do coração humano”, afirma Catarina. 

A proposta também se ancora no conceito de “poesia matemática”, defendido por Catarina como uma forma de expressão artística por meio do código. A narrativa se desenvolve em camadas dimensionais, partindo de um ponto (1D), evoluindo para o plano (2D), alcançando o espaço tridimensional (3D) e culminando em uma experiência 4D, onde o tempo se integra à jornada psicológica da personagem.

Outro diferencial do projeto é o uso da inteligência artificial não apenas como ferramenta criativa, mas também como suporte lógico. A estudante utilizou IA para mapear emoções humanas em variáveis matemáticas, criando uma experiência que se aproxima de um “teste de personalidade” interativo. Para ela, isso também ajuda a desconstruir visões equivocadas sobre a tecnologia. “Existe um medo de que a IA torne a arte fria, mas eu quis provar o contrário: a tecnologia é apenas um pincel. O artista é quem dá significado”, destaca a estudante. 

Durante o hackathon, o projeto alcançou grande repercussão, gerando um volume de acessos que ultrapassou a capacidade inicial da infraestrutura. Para manter a estabilidade e garantir uma experiência fluida, Catarina realizou uma migração em tempo real para a plataforma Google Cloud, assegurando baixa latência e continuidade narrativa.

A experiência prévia da estudante também foi decisiva. A participação na Semana WTT no Mackenzie contribuiu para a escolha de uma arquitetura baseada na web, apoiada em tecnologias como React e Vue, garantindo maior acessibilidade ao público global.

Catarina já planeja expandir o universo do LAPLACE.TRANSFORM. Entre as ideias futuras estão narrativas que exploram novas dimensões emocionais, como negação e fuga da realidade. Com diversos projetos em desenvolvimento, a estudante pretende continuar explorando os limites entre computação, inteligência artificial e arte, consolidando uma ponte cada vez mais sólida entre tecnologia e experiência humana. “Vejo esse projeto como a semente de algo maior”, concluiu. 

Confira o projeto: https://laplacetransform.vercel.app/