25.08.2026 - EM Eventos
O Sistema Mackenzie de Ensino (SME) promoveu, no sábado, 22 de agosto, o V Congresso de Cosmovisão Cristã, no Auditório Ruy Barbosa, campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Com o tema “Quando o universo se torna currículo: maravilhamento como caminho de aprendizagem”, o encontro reuniu educadores e especialistas para refletir sobre os desafios da educação contemporânea a partir da cosmovisão cristã.
Com mais de mil inscritos, representantes de 122 municípios e 18 estados, o congresso contou com palestras, momentos devocionais, debates, workshops temáticos e o SME Talks. A programação teve como objetivo incentivar a integração entre fé e aprendizagem.
Para o reverendo Geomário Carneiro, presidente da Comissão Nacional Presbiteriana de Educação (CONAPE), o congresso representa um desafio aos educadores para que a fé cristã e a educação sejam compreendidas de forma integrada. “Nós somos chamados a integrar a fé e a aprendizagem. Ele é muito importante porque ele tem esse DNA, integração, fé e aprendizagem”, afirmou.
A coordenadora de capacitação pedagógica do SME, Viviane Nery, explicou que a proposta do congresso está relacionada ao trabalho desenvolvido pelo SME na construção de uma educação fundamentada em uma visão de mundo cristã. Segundo ela, a cosmovisão cristã é considerada desde a elaboração dos materiais didáticos e deve também estar presente no currículo e na prática pedagógica.
“Nós queremos que este aluno olhe para a realidade criada e veja sentido naquilo que ele está estudando, que ele se sinta corresponsável também pelo cuidado de tudo que o Senhor nos deixou”, destacou a coordenadora.
Viviane ressaltou ainda que a proposta busca fazer com que o conhecimento tenha significado para os estudantes. “Nós focamos na excelência acadêmica e na formação integral”, afirmou. Para isso, a programação foi estruturada para combinar reflexões teóricas e experiências práticas, de modo que os participantes pudessem levar novas ideias para o cotidiano escolar.
“A sensação que queremos é que a pessoa que vem aqui, saia pensando o seguinte: ‘eu tenho algo para colocar em prática na segunda-feira. Eu discuti com outras pessoas, eu fiz trocas, pensei, refleti, tenho conceitos organizados, tenho exemplos de práticas e eu estou me sentindo mais preparado’”, explicou a coordenadora sobre a proposta dos workshops.
Conhecimento, fé e realidade
O diretor de Educação e Saúde do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), André Peixoto, destacou a relação entre o tema do congresso e a compreensão cristã da criação. Para ele, a natureza e a realidade criada podem ser percebidas como elementos que contribuem para o processo de aprendizagem.
“Nada foi feito ao acaso, tudo que brilha, tudo que canta, tudo que floresce está louvando ao Senhor”, afirmou.
André Peixoto também ressaltou que a perspectiva cristã não implica negar a ciência ou a cultura, mas reconhecer, a partir da fé, a existência de Deus como criador. “A gente aprende, reafirma através da cultura bonita, através do belo, através da natureza que existe um Deus por trás de tudo. Isso faz toda a diferença”, disse.
A primeira plenária do evento foi conduzida pelo reverendo Hernandes Dias Lopes, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana do Brasil de Vitória e da IPB de Pinheiros, apresentador, conferencista e escritor. Em sua fala, ele destacou que a educação deve considerar o ser humano de maneira integral.
“A educação é a formação da vida, não é apenas uma questão intelectual de informações para a mente. A educação é holística, integral, precisa alcançar a mente, a alma, a vida”, afirmou.
Para Hernandes, a educação fundamentada na cosmovisão cristã amplia o significado do processo educativo ao considerar também a dimensão espiritual. “Não apenas dá conhecimento, mas dá, além de informação, também transformação”, destacou.
Durante a palestra, o reverendo também abordou a compreensão cristã da história como uma trajetória orientada para um propósito. “A visão cristã é teleológica, ela caminha para um télos, ela caminha para um fim”, explicou.
O maravilhamento como caminho para a ciência
A segunda plenária foi conduzida por Gustavo Assi, professor titular da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro naval e oceânico, pesquisador e palestrante. Membro ativo de sua igreja local, Assi desenvolve reflexões sobre a integração entre fé cristã, ciência e educação.
Ao abordar a relação entre ciência e cosmovisão, o professor explicou que todo conhecimento é desenvolvido a partir de uma determinada visão de mundo. Na perspectiva cristã, essa compreensão reconhece o senhorio de Jesus Cristo sobre toda a realidade.
“Isso não significa que há uma forma cristã do método científico, ou que existe uma ciência cristã, ou que existem verdades que só os cristãos conseguem descobrir da natureza”, esclareceu. Para ele, trata-se de um pano de fundo que orienta a interpretação da realidade.
“É como se fosse o nosso sistema operacional que está rodando com uma forma cristã de interpretar a realidade. Dentro dela, o conhecimento científico”, explicou.
A partir dessa perspectiva, Assi estruturou sua palestra em torno de três elementos: maravilhamento, ciência e educação. Segundo ele, o maravilhamento é uma característica genuinamente humana e pode funcionar como ponto de partida para a busca pelo conhecimento.
“A ciência é uma porta de entrada para o conhecimento, e o maravilhamento é a isca para se fazer ciência de forma profunda”, afirmou.
O professor também defendeu que a descoberta científica não diminui o encantamento diante da realidade. Pelo contrário, compreender como um fenômeno funciona pode ampliar a capacidade de se maravilhar com ele.
Assi destacou o papel do professor na condução do estudante entre o maravilhamento e o conhecimento. Para ele, o educador cristão vai além da transmissão de informações ao relacionar aquilo que é aprendido à fé.
“Eu posso, por exemplo, ser um educador não cristão e usar a isca do maravilhamento para gerar conhecimento dos meus alunos. Mas quando eu sou um educador cristão que reconhece o senhorio de Cristo sobre tudo isso, eu indico o dono”, afirmou.
Além das plenárias, o congresso contou com a participação do violeiro Vitor Quevedo, do SME Talks, que reuniu assessores dos Colégios Mackenzie, e de workshops voltados à aplicação prática dos conceitos discutidos ao longo do evento.









