A segunda conferência da temporada 2026 do Fronteiras do Pensamento aconteceu na última segunda-feira, 17 de agosto, no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Higienópolis. Sob o eixo “Como navegar em um mundo complexo?”, o psicanalista e escritor argentino Gabriel Rolón e a psicanalista e escritora brasileira Ana Suy debateram sobre felicidade, amor e falta na contemporaneidade.
“Se houver a opção de ser feliz, nunca será sem um pouco de tristeza, sem um pouco de ausência, sem um pouco de dor, sem certa solidão e sem faltas. Se alguma felicidade é possível, é preciso aceitar que será uma felicidade imperfeita”, frase do livro ‘A felicidade: para além da ilusão’, de Gabriel Rolón, foi citada no início da noite pela mediadora e psicanalista Carol Tilkian.
Segundo Ana Suy, o ser humano sente a falta a partir da fantasia construída de que alguma coisa a mais ou a menos poderia acontecer. “É uma fantasia constitutiva, pois nos dá uma direção, pela via do desejo, do que vamos fazer com a falta e de como vamos escolher viver a nossa vida, mas tendemos a interpretar essa falta como defeituosa, como um equívoco”, explicou.
Para os psicanalistas, de acordo com Gabriel Rolón, a falta pode se manifestar na privação, na frustação ou na castração. “A privação é o que sentimos quando nos falta algo que não deveria faltar, causando a dor. A frustração é o que sentimos quando nos falta algo que acreditamos merecer ou não merecer, despertando a raiva. Por fim, a castração é o entendimento de que sempre nos faltará algo, o que gera a angústia”, detalhou o psicanalista.
O cenário atual da sociedade contribui para as questões relacionadas à falta, visto que é a mesma incentivada por um mercado que se alimenta da solidão e insegurança das pessoas. “Vivemos em um tempo em que vendem a felicidade como autodesenvolvimento, como algo a ser conquistado e merecido”, disse Carol Tilkian.
Na esfera do amor, Ana Suy apontou que seria muito mais fácil não amar e não se importar com o outro, mas, ao mesmo tempo, questiona: "Se não for por isso, para o que serve a vida? Amar nos desorganiza psiquicamente, porque não entendemos o motivo de amar uma pessoa e não amar outra ou o motivo de alguém nos mobilizar tanto. A parte difícil do amor é a falta, que vem como um efeito lógico, por causa do que chamamos de desejo do amor, que é vazio”.
Rolón ainda afirmou que todos os seres humanos sentem a dor, a raiva e a angústia, porém, a construção de vínculos atravessa, fundamentalmente, esses sentimentos. “Renunciar a necessidade e a obsessão sob o controle das coisas para poder desfrutar. O problema do ser humano é querer pensar, entender e controlar”, finalizou o psicanalista argentino.
O Fronteiras do Pensamento, realizado pela DC Set Group, reúne pensadores influentes em ciclos de conferências para debater grandes temas da atualidade. O evento conta com apoio da Universidade Presbiteriana Mackenzie.









