O recente caso ocorrido em São Paulo, envolvendo a morte de uma mulher após possível intoxicação por gases liberados no tratamento de uma piscina, reacendeu o debate sobre segurança química em ambientes aquáticos. Especialistas alertam que o uso incorreto de produtos à base de cloro pode trazer riscos sérios à saúde.
Os professores do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, debateram o tema em suas aulas e trouxeram algumas reflexões.
Segundo o professor Andreson Freitas, que leciona Química na 3ª série do Ensino Médio e no Itinerário Formativo Método, Conhecimento e Ciência, o cloro é indispensável para garantir a qualidade da água, mas exige controle técnico rigoroso. “O cloro é um agente desinfetante fundamental. Ele elimina microrganismos como bactérias, vírus e algas, prevenindo diversas doenças. No entanto, quando utilizado fora das concentrações adequadas ou misturado de forma incorreta com outras substâncias, pode liberar gases tóxicos perigosos”, explica.
O professor destaca que a mistura de produtos clorados com ácidos pode liberar gás cloro (Cl₂), substância altamente irritante para o sistema respiratório. Em ambientes fechados e com pouca ventilação, o risco é ainda maior. “A inalação em concentrações elevadas pode causar falta de ar, irritação intensa, broncoespasmo e, em casos graves, edema pulmonar”, complementa.
Já o professor José Baía, responsável pelo laboratório de química da unidade, reforça que a segurança depende do cumprimento rigoroso de protocolos técnicos. “Não basta apenas adicionar cloro à água. É necessário monitorar parâmetros como pH, alcalinidade, cloro livre e dureza cálcica. Esses indicadores garantem que o produto esteja agindo de forma eficaz e segura”, afirma.
De acordo com ele, o nível ideal de cloro livre deve ficar entre 1 e 3 partes por milhão (ppm), enquanto o pH deve ser mantido entre 7,2 e 7,6 para que o desinfetante funcione corretamente.
Além da dosagem adequada, os professores alertam para a importância do armazenamento seguro dos produtos e do uso de equipamentos de proteção durante o manuseio.
Outro ponto de atenção é a necessidade de fiscalização em piscinas de uso coletivo. Academias e clubes devem possuir autorização dos órgãos competentes e seguir normas técnicas estabelecidas pela vigilância sanitária e pelos conselhos regionais. “A Química é uma ciência que salva vidas quando aplicada corretamente. O problema não está no produto, mas na forma como ele é utilizado. Informação e responsabilidade são essenciais para evitar tragédias”, conclui o professor Andreson.
Os especialistas reforçam que a manutenção da piscina deve ser realizada por profissionais capacitados e que a verificação da documentação sanitária é um direito do consumidor. O conhecimento técnico aliado ao cumprimento das normas é a principal forma de prevenção.



