Na última quarta-feira, 1º de abril, a NASA realizou o lançamento da sua primeira missão tripulada à lua em 54 anos. Abordo da missão Artemis II estão quatro astronautas, rumo a em um sobrevoo ao redor da lua, sem pouso, em uma viagem de cerca de dez dias. Dentro de cinco dias, por volta de 6 de abril é esperado que a nave alcance o satélite natural da terra.
O principal objetivo da missão é testar, com humanos a bordo, os sistemas de suporte à vida da nave Orion Spacecraft, preparando o caminho para a futura missão Artemis III, que deverá marcar o retorno à superfície lunar.
Apesar da viagem ser a lua, o sol pode ter um grande impacto na missão. De acordo com o professor de Engenharia Elétrica da UPM e pesquisador do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), Paulo Simões, no trajeto da missão, os astronautas atravessarão regiões menos protegidas pelo campo magnético da Terra. Segundo ele, esse campo funciona como uma barreira natural contra partículas de alta energia vindas do sol. “ A quantidade de energia vinda do sol pode representar riscos tanto à saúde dos tripulantes quanto ao funcionamento dos sistemas eletrônicos da espaçonave”, afirmou.
Nesse contexto, o chamado clima espacial também se torna um elemento decisivo para o planejamento da missão. Caso a atividade solar apresenta níveis elevados, com maior emissão de partículas energéticas, radiação ultravioleta ou raios X, aumentam os riscos de falhas nos equipamentos eletrônicos do foguete, interrupções nas comunicações por rádio e exposição dos astronautas a níveis perigosos de radiação.
Para o monitoramento dessas condições, CRAAM realiza diversas pesquisas relacionadas à atividade solar, em parceria com diversas outras instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a própria NASA. As pesquisas desenvolvidas permitem acompanhar fenômenos solares que podem impactar missões espaciais e sistemas tecnológicos na Terra.
Além dos desafios fora da atmosfera terrestre, as condições meteorológicas no local de lançamento também exigem atenção rigorosa. Cobertura intensa de nuvens, ventos fortes, chuvas ou tempestades podem comprometer a decolagem e interferir no funcionamento dos instrumentos de controle, monitoramento e comunicação, aumentando os riscos para a missão.
Dessa forma, a missão Artemis II depende não apenas do desempenho tecnológico da nave e da preparação dos astronautas, mas também de um acompanhamento detalhado das condições espaciais e atmosféricas, inclusive do sol.
Retorno à lua
Após as famosas missões do programa Apollo, ocorridas entre os anos 60 e 70 e que levaram o ser humano a pisar na lua, a NASA retornou o plano de voltar ao nosso satélite natural. Após a Artemis II, em órbita neste começo de abril, a expectativa é que a agência espacial norte-americana realize mais missões rumo à lua, inclusive, é esperado que a Artemis III volte a pousar em solo lunar.
Além do objetivo de testar as novas tecnologias relacionadas à engenharia espacial, as missões Artemis também tem como foco um destino mais distante: Marte. A nova leva de missões espaciais pretende estabelecer um novo campo e uma possível base na lua para levar astronautas ao planeta vermelho. A ideia da Nasa é chegar à Marte a partir de 2030.
Por enquanto, a Artemis II ainda está na órbita terrestre. Além dos motores, nave tripulada usa como "impulso" a gravidade da Terra e da própria lua. Por isso, realiza uma volta na terra antes de partir rumo ao satélite. Os astronautas devem alcançar a lua apenas na próxima segunda-feira, 06 de abril, quando também inciam as manobras de retorno. A missão deve retornar à Terra no dia 10 de abril, com um "pouso" no Oceano Pacífico, próximo à região da Califórnia.




