Nos dias 5 e 6 de outubro, durante a Semana da Tecnologia & Inovação (STI) da Faculdade de Computação e Informática (FCI) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), foi realizado o IA EXPRESS, evento que reuniu estudantes e professores para discutir os impactos da Inteligência Artificial (IA) na transformação dos negócios e na engenharia de software.
Com mediação do professor da FCI, Dirceu Matheus Junior, o encontro contou com a participação de Sergio Gama, da TD SYNNEX – IBM, especialista em soluções de IA para desenvolvimento de software, e dos professores da FCI, Leandro Pupo Natale e Leandro Zerbinatti.
A programação destacou uma mudança de paradigma que vem transformando organizações em todo o mundo: a IA não deve ser vista apenas como uma ferramenta de automação, mas também como um recurso capaz de redefinir processos, estruturas e modelos de negócios.
Durante sua apresentação, o professor Leandro Zerbinatti propôs à audiência substituir a pergunta “como utilizar IA no que já fazemos?” por uma reflexão mais profunda: “se a IA pode fazer isso, por que continuamos fazendo dessa maneira?”. A provocação chama a atenção para o potencial da tecnologia de transformar a própria organização do trabalho, em vez de apenas digitalizar atividades já existentes.
Outro ponto discutido foi o perfil profissional exigido em um cenário cada vez mais influenciado pela inteligência artificial. Os palestrantes destacaram que, diante da abundância de informações e de conteúdos gerados por IA, competências como pensamento crítico, capacidade de formular boas perguntas, discernimento e curadoria humana ganham importância. Embora a tecnologia amplie as capacidades das pessoas, a interpretação das informações, o julgamento e a tomada de decisões continuam dependendo de competências humanas.
Na vertente tecnológica, o professor Leandro Natale apresentou aplicações da IA no ciclo de desenvolvimento de software. Segundo ele, a tecnologia já é capaz de acelerar atividades como levantamento de requisitos, geração de código, testes e documentação. O desafio, porém, não se limita à produção rápida de código: é preciso garantir a qualidade, a segurança e a adequação das soluções aos objetivos do negócio. Nesse contexto, ele destacou o conceito de Harness Engineering, no qual agentes de IA operam com mecanismos de governança, controles, validações e supervisão humana.
Na sequência, Sergio Gama apresentou o IBM Bob, plataforma de IA voltada ao desenvolvimento de software, e demonstrou como agentes inteligentes podem apoiar diferentes etapas do processo, da concepção à modernização de aplicações. A ferramenta permite acelerar ciclos de entrega e ampliar a produtividade das equipes, desde que integrada ao conhecimento humano e às boas práticas de engenharia.
Ao longo dos dois dias, o IA EXPRESS abordou tanto as possibilidades de aplicação da inteligência artificial quanto os desafios de incorporá-la aos negócios e ao desenvolvimento de software. As discussões mostraram que acompanhar essa transformação exige não apenas conhecer novas ferramentas, mas também saber avaliar seus resultados, identificar limitações e tomar decisões com responsabilidade.






