Você já reparou como duas pessoas podem reagir de formas completamente diferentes diante do mesmo problema no trabalho? Enquanto uma perde o sono, a outra parece encontrar um caminho de clareza com mais facilidade. A ciência explica que a capacidade de encarar a pressão com equilíbrio não é sorte ou dom, mas sim um processo neurobiológico e comportamental que pode ser desenvolvido.
O professor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Gabriel Rego, explica que a psicologia define resiliência como a capacidade do indivíduo de se adaptar às adversidades. “Não nascemos prontos com essa habilidade, ela é uma musculatura mental que qualquer pessoa pode treinar ao longo da vida”.
A diferença nas respostas ao estresse ocorre porque nosso cérebro interpreta as ameaças de maneiras particulares, ativando circuitos emocionais que podem nos fazer travar ou agir. Segundo Gabriel Rego, essa reação depende do histórico de experiências e das estratégias cognitivas de cada um.
Diante de um desafio, “quem desenvolveu a resiliência consegue acionar o córtex pré-frontal para raciocinar e regular a resposta da amígdala cerebral, que é o nosso centro de alarme do medo. Já em momentos de sobrecarga, quem não tem essas estratégias fortalecidas acaba dominado pela resposta automática do desespero ou da paralisia”, destaca o professor.
Ser resiliente não significa suportar tudo sem reclamar, e saber onde impor limites é fundamental para a saúde mental. Existe uma linha tênue, e perigosa, entre a flexibilidade saudável e a tolerância a ambientes que levam ao burnout. Por isso, o professor Gabriel faz um alerta essencial para o nosso dia a dia: “A resiliência saudável envolve transformar e superar a adversidade sem perder o autocuidado. No momento em que a tolerância exige que você anule seus limites, valores ou a própria saúde para se manter em pé, não estamos falando de resiliência, mas de uma violência silenciosa contra si mesmo”.
A boa notícia é que fortalecer a nossa capacidade de gerenciar a pressão diária é perfeitamente possível por meio da prática regular de pequenos hábitos. Para quem busca desenvolver essa habilidade e melhorar a gestão do estresse na rotina, o professor do CCBS, recomenda começar pelo básico comprovado pela ciência: “Práticas regulares como a higiene do sono, a atividade física e técnicas de mindfulness ou respiração consciente alteram a própria estrutura cerebral. Além disso, cultivar uma rede de apoio confiável no ambiente de trabalho e aprender a redefinir o olhar sobre os erros são passos indispensáveis para construir uma mente mais flexível e preparada para qualquer desafio”.



