O Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, em Recife, iniciou, no dia 17 de agosto, o InterMack, seu tradicional torneio interclasse. Nas duas primeiras semanas, a programação foi inteiramente dedicada aos alunos da Educação Infantil e dos Anos Iniciais. As modalidades escolhidas aliam diversão e nostalgia, porque resgata as brincadeiras tradicionais, estimula a imaginação, promove a interação entre as crianças e contribui para a ampliação de sua visão de mundo.
O InterMack 2026 reúne modalidades esportivas consagradas, como futsal, basquete e handebol, além de brincadeiras que fazem parte da memória de muitas gerações, entre elas queimado, barra-bandeira, corrida de saco e cabo de guerra. Dessa forma, o evento valoriza tanto a prática esportiva quanto o fortalecimento de experiências lúdicas significativas para o desenvolvimento infantil.
Segundo o coordenador de Esportes do Mackenzie Agnes, José Carlos Medeiros, o evento deve ser mais do que uma competição, ele precisa constituir uma experiência educativa, formativa e significativa para os alunos. Por isso, a escolha das atividades levou em consideração não apenas a prática esportiva, mas também a faixa etária dos participantes, o desenvolvimento motor, a participação coletiva, a inclusão e os valores que cada modalidade pode proporcionar.
Por exemplo, as modalidades tradicionais, como futsal, basquete e handebol, desenvolvem habilidades esportivas específicas e permitem que os alunos vivenciem o esporte de forma estruturada. Já brincadeiras como queimado, barra-bandeira, corrida de saco e cabo de guerra resgatam elementos da cultura infantil e possibilitam que diferentes crianças participem, independentemente de seu nível de experiência esportiva.
“Nossa intenção é mostrar que o esporte também é um espaço de alegria, convivência, superação e construção de memórias. Como instituição cristã, acreditamos que cada oportunidade de brincar e competir também pode servir para ensinar valores como respeito, responsabilidade, humildade, perseverança e cuidado com o próximo”, explica o coordenador.
Para os alunos da Educação Infantil, as modalidades são adaptadas para que se sintam à vontade para brincar e se divertir. Afinal, brincar é uma das principais formas de aprendizagem na infância. Atividades como Corrida do Limão, Dança das Estátuas, Casa Limpa e Corrida das Argolas foram planejadas justamente para que as crianças desenvolvam diferentes capacidades enquanto se divertem.
Do ponto de vista motor, trabalha-se o equilíbrio, a coordenação, a lateralidade, a agilidade, a percepção espacial, o controle corporal e habilidades como correr, saltar, lançar e transportar objetos. Já no aspecto cognitivo, as crianças precisam compreender regras, tomar pequenas decisões, manter a atenção, memorizar comandos e solucionar situações que surgem durante as brincadeiras.
Além disso, há uma importante dimensão social envolvida nessas atividades. A criança aprende a esperar sua vez, respeitar os colegas, compartilhar, torcer pelo grupo, lidar com a vitória e compreender que nem sempre será a vencedora. Tudo isso acontece em um ambiente de alegria, acolhimento e segurança.
“Queremos que a primeira experiência da criança com os jogos seja marcada pelo prazer de participar. Antes de formar atletas, queremos formar crianças que compreendam que se movimentar, brincar e conviver com o outro são presentes de Deus e fazem parte de uma vida saudável”, afirma José Carlos.
Os jogos coletivos, como Barra Bandeira, Queimado, Cabo de Guerra e Vôlei Bolão, exigem muito mais do que habilidade física. Essas atividades se transformam em valiosas experiências de aprendizagem coletiva, nas quais os alunos desenvolvem competências socioemocionais essenciais, como autocontrole, resiliência, respeito às regras, capacidade de lidar com frustrações e responsabilidade por suas próprias atitudes.
“Para nós, vencer é importante, mas aprender a competir de maneira saudável é ainda mais importante. O esporte nos ensina que podemos buscar a excelência sem desrespeitar o outro. Como nos orienta a Palavra de Deus: ‘Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor’ (Colossenses 3:23)”, destaca José Carlos.
Segundo Daniela Bacovis, psicóloga educacional da unidade, brincadeiras tradicionais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento infantil, pois proporcionam experiências de movimento, interação e imaginação que nem sempre fazem parte da rotina das crianças atualmente. Em um contexto no qual as telas e as atividades estruturadas ocupam cada vez mais espaço, oferecer oportunidades para brincar de forma ativa e coletiva também significa garantir e preservar um direito fundamental da infância.
Quando inseridas no ambiente escolar, essas brincadeiras ganham ainda mais significado ao assumir uma importante dimensão pedagógica e social. “A criança aprende a lidar com regras, esperar sua vez, respeitar o outro, tomar decisões, enfrentar desafios e explorar diferentes possibilidades corporais. Ao mesmo tempo, vivencia situações de cooperação, competição, frustração e conquista em um contexto mediado e seguro”, afirma.
Além dos benefícios para o desenvolvimento, essas brincadeiras integram a cultura da infância e carregam um forte valor afetivo. Muitas vezes, as experiências vividas pelas crianças no Intermack são semelhantes às que seus pais e avós também tiveram, criando uma conexão entre gerações e fortalecendo a memória afetiva e a cultura do brincar.











