Você já entregou um projeto com excelentes resultados, recebeu o reconhecimento devido, mas no fundo sentiu que “foi só sorte” e que, a qualquer momento, todos descobririam que você não é tão bom assim? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinho. Esse sentimento frequente é o coração da síndrome do impostor, uma armadilha que nos faz focar no medo da falha em vez do nosso processo de aprendizado. Para nos ajudar a entender essa dinâmica, conversamos com o professor de Psicologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Marcelo Santos.
Para o especialista, o primeiro passo é entender que se sentir inseguro não significa falta de capacidade. "Quando há uma lacuna real da habilidade, estamos lidando com um déficit de repertório. Quando se trata do fenômeno do impostor, enfrentamos uma distorção cognitiva autorreferencial", esclarece o professor. Ou seja, você entrega um trabalho de altíssima qualidade, mas consome energia achando que "enganou a todos". Curiosamente, esse sentimento afeta justamente quem é mais dedicado e assume novos desafios. "O profissional não se sente uma farsa apesar de ser competente, mas se sente uma farsa porque a própria competência o expõe a fronteiras cada vez mais complexas".
Para tentar superar essa síndrome, a solução não é tentar calar a voz da dúvida à força, mas aprender a não tomar todo pensamento negativo como verdade. Uma dica prática é mudar a forma de conversar consigo mesmo, em vez de pensar "sou uma fraude", experimente registrar "percebo que minha mente está criando o pensamento de que sou uma fraude". Em seguida, seja seu próprio advogado de defesa, relembre vitórias anteriores e dê o primeiro passo, por menor que seja. "A confiança não precede a ação, ela é resultado da ação. Pergunte a si mesmo qual é a menor tarefa que pode iniciar naquele momento e execute para criar um fluxo positivo", orienta Marcelo.
Reconhecer nossas vulnerabilidades e entender que não precisamos ter todas as respostas o tempo todo faz parte de uma cultura interna transparente, humana e psicologicamente segura. Suas conquistas, seu espaço e seus resultados não aconteceram por acaso, são frutos da sua dedicação e da sua capacidade real. Por isso, da próxima vez que a dúvida bater à porta, lembre-se de celebrar suas pequenas e grandes vitórias, acolher seu processo de desenvolvimento e seguir em frente com a certeza de que você pertence, sim, ao lugar onde está!




