Como aproveitar as férias sem abrir mão do desenvolvimento das crianças? Para as coordenadoras da Educação Infantil e do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, esse período pode ir muito além do descanso.
Segundo elas, o intervalo escolar abre espaço para algo valioso. Experiências que misturam leveza, convivência e aprendizado real, daquele que acontece no dia a dia, quase sem perceber.
A coordenadora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Claudia Guarines, acredita que a tecnologia não precisa ser tratada como vilã, mas sim com equilíbrio. Em vez de proibir, o melhor caminho é oferecer outras possibilidades. “Quando surgem alternativas envolventes, como projetos em família, brincadeiras diferentes ou momentos ao ar livre, o interesse aparece naturalmente”, observa.
Para Cláudia, as férias são um terreno fértil para desenvolver autonomia e criatividade. Coisas simples já cumprem bem esse papel. Cuidar de uma pequena horta, ajudar no preparo das refeições ou participar da rotina da casa ensinam muito mais do que parecem.
O aprendizado também pode continuar, mas sem peso. A coordenadora sugere dar um tom mais leve à leitura e à escrita. Um diário de férias, por exemplo, ou a criação de histórias e pequenas experiências em casa tornam o conhecimento mais próximo e prazeroso.
E não é necessário buscar atividades extraordinárias. O próprio cotidiano oferece boas oportunidades. Um passeio no parque, uma viagem em família ou até a organização de um pequeno orçamento podem se transformar em momentos de aprendizado. “Quando a criança percebe sentido no que está vivendo, ela aprende de verdade”, resume.
Na Educação Infantil, o olhar se volta ainda mais para o brincar. A coordenadora Sara Macêdo reforça que a ludicidade segue como principal caminho para o desenvolvimento. Cantigas, encenações e brincadeiras com movimento ajudam a trabalhar aspectos motores, emocionais e espirituais.
Sara lembra que muitas dessas vivências já fazem parte da rotina. Cozinhar, cuidar das plantas ou organizar pequenos espaços ensinam responsabilidade e cooperação, além de fortalecer vínculos. “A família, nesse contexto, se torna um espaço vivo de aprendizagem”, afirma.
Dentro da proposta cristã do colégio, as férias também podem fortalecer a fé de maneira natural. Contar histórias bíblicas com leveza ou vivenciar valores como respeito, generosidade e amor no dia a dia são formas simples e consistentes de cultivar a espiritualidade das crianças.
A coordenadora Claudia acrescenta que esse período oferece algo cada vez mais raro. Tempo disponível. Tempo para conviver, ouvir, compartilhar e construir memórias. “É nesses momentos que os vínculos se aprofundam e a fé se torna prática, no cuidado e na convivência.”
No fim, não se trata de preencher todos os horários, mas de dar sentido ao que se vive. Pequenas experiências, quando carregadas de presença e intenção, costumam ser as mais marcantes. “As lembranças mais fortes da infância, quase sempre, nascem da simplicidade”, conclui Claudia.




