
09.03.2026 - EM Atualidades
O Dia Internacional da Luta pelos Direitos das Mulheres, celebrado em 8 de março, nos convida a ir além das homenagens e refletir sobre a construção de um mundo mais justo para as mulheres. Para entender melhor o peso dessa data, conversamos com a professora do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Patrícia Tuma Martins Bertolin, que faz um alerta essencial: “o 8 de março deve ser lembrado como um dia de luta e não como uma data comercial”.
A origem da data relembra a coragem de operárias têxteis em Nova Iorque no início do século passado, que enfrentaram condições precárias de trabalho em busca de dignidade. Desde o reconhecimento oficial pela ONU em 1975, avançamos muito em direitos formais, mas a igualdade material, aquela que sentimos na prática, no dia a dia, ainda enfrenta barreiras. “As brasileiras ainda recebem, em média, 22% menos que os homens, apesar de terem hoje maior escolaridade”, destaca Patrícia Bertolin, lembrando que esse abismo é ainda mais profundo para mulheres negras, que chegam a receber 53% menos que homens brancos (MTE, 2025).
Além da disparidade salarial, o Brasil ainda lida com desafios urgentes de segurança e representatividade, com apenas 18,7% das cadeiras em conselhos de administração ocupadas por mulheres (Board Index Brasil 2025). Segundo a docente, “a questão da efetivação da igualdade é muito séria” e exige que todos nós sejamos agentes de mudança, combatendo preconceitos e incentivando a ascensão feminina a postos de liderança. A transparência sobre esses números é o primeiro passo para a mudança dentro e fora das organizações.
Para um futuro mais equilibrado e otimista, o desafio passa pelo combate à “pobreza de tempo” gerada pela sobrecarga da jornada dupla. Enquanto as mulheres dedicam cerca de 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, os homens dedicam apenas 11,7 horas (IBGE, 2023). O equilíbrio real virá do compartilhamento mais igualitário das responsabilidades familiares e de um olhar mais humano sobre o cuidado. Ao unirmos esforços para apoiar essas transformações, demonstramos consciência e fortalecemos uma cultura onde cada colaboradora tem o espaço e o tempo necessários para prosperar.




