Internacionalização amplia formação de pesquisadores na Arquitetura

Parcerias do Mackenzie com universidades estrangeiras fortalecem a pesquisa e aproximam diferentes perspectivas acadêmicas 

24.09.2026 - EM

Letícia Chang, sob orientação de Jonathas Cotrim


A internacionalização da pesquisa ganha espaço no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) por meio de parcerias acadêmicas que aproximam pesquisadores brasileiros de instituições estrangeiras. 

A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Angélica Alvim, explicou que o principal diferencial da internacionalização na pós-graduação é a possibilidade de executar uma única pesquisa inserida, simultaneamente, em dois ambientes acadêmicos e científicos. “Um exemplo prático é o doutorado em regime de cotutela, em que o doutorando é acompanhado por orientadores das duas instituições e tem contato com diferentes tradições de pesquisa”. 

Esse ano foi defendida a sexta tese de doutorado realizada nesse modelo, dentro da parceria entre a UPM e a Faculdade de Arquitetura e Ciências da Paisagem da Leibniz Universität Hannover (LUH), na Alemanha. Um dos resultados dessa cooperação é a trajetória de Luciana Mouro Varanda de Mattos, cuja dissertação mostrou como a integração entre universidades pode ampliar a formação acadêmica e inserir questões urbanas brasileiras em debates científicos internacionais. 

A professora destacou como a internacionalização amplia a formação do pesquisador, pois mais do que viver um período de estudos no exterior, o aluno passa a integrar grupos de pesquisa dos dois países, participar de atividades acadêmicas de ambas as universidades, adquire acesso à diferentes bibliotecas e laboratórios, constrói a sua tese a partir de um diálogo internacional e estuda novas disciplinas.

Entretanto, para conquistar a internacionalização, é necessário que o estudante possua uma articulação acadêmica e institucional consistente, para que ele possa atender às demandas de ambas as instituições. O diálogo entre universidades é estabelecido quando há compatibilidade com a pesquisa e os orientadores. “No caso da Luciana, por exemplo, a pesquisa foi desenvolvida em cotutela entre o PPGAU da UPM e a Leibniz Universität Hannover, na Alemanha, sob minha orientação e a coorientação do professor Jörg Schröder.”

Para Alvim, do ponto de vista arquitetônico, um dos olhares mais interessantes de se explorar é o confronto com diferentes realidades e formas de pensar nos problemas. Ela explicou que na área da Arquitetura e Urbanismo, questões como mudanças climáticas, sustentabilidade, habitação e mobilidade são desafios globais, mas cada região se manifesta de maneira distinta dependendo de seu território para enfrentar esses problemas.  

Além disso, ela apontou que a internacionalização não deve ser percebida somente como uma mobilidade de enviar estudantes para estudar fora do país por um determinado período, mas sim pela ampliação na qualidade de formação e pesquisa. A cotutela é a definição ideal desse processo, pois duas universidades assumem a grande responsabilidade de formar um novo pesquisador. “É uma relação de mão dupla: aprendemos com outras experiências, mas também levamos para essas redes o conhecimento produzido no Brasil”, finalizou.