Na última quinta-feira, 24 de setembro, a Faculdade de Direito (FDir) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) promoveu o painel “O outro lado que assusta – Mitos Judaicos e o inimigo imaginário”, como parte da programação da Semana Jurídica da instituição.
Mediado pela professora Evane Beiguelman Kramer, o encontro reuniu especialistas para discutir a construção de preconceitos históricos, o combate ao discurso de ódio e o papel da educação e do Direito na promoção dos direitos humanos e da cidadania. O painel também marcou a apresentação do livro Atlas Decodificando o Antissemitismo, recém-lançado pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB).
Ao longo do evento, os participantes relacionaram história, educação e tecnologia às questões jurídicas contemporâneas, destacando a importância do pensamento crítico na formação dos estudantes.
A palestrante Giselle Beiguelman abordou o papel do ambiente digital na disseminação e na atualização de preconceitos históricos. “Se no passado os mitos se espalhavam por panfletos e relatos, hoje o ambiente digital permite que uma mensagem alcance milhões de pessoas em segundos. A velocidade da informação também pode ser a velocidade da desinformação”, explicou.
Giselle também chamou a atenção para as formas como discursos discriminatórios podem aparecer no cotidiano. “O preconceito nem sempre aparece de forma explícita, muitas vezes surge disfarçado de humor, comentários inofensivos ou teorias conspiratórias. Desenvolver o pensamento crítico é fundamental para questionar a origem e os interesses por trás de cada narrativa”, afirmou.
O palestrante Caleb Salomão destacou o Atlas como uma ferramenta de conscientização e prevenção, especialmente para a formação dos futuros profissionais do Direito. “Enfrentar o preconceito é uma tarefa que começa antes da violência explícita, quando a sociedade decide interromper a circulação de estereótipos que transformam pessoas em ameaças”, afirmou.
A discussão também abordou a relação entre Direito, memória e tecnologia na preservação das liberdades e no respeito à diversidade. Para a mediadora, Evane Kramer, levar esse debate ao ambiente acadêmico contribui para a formação cidadã dos estudantes. “Discutir a construção do inimigo imaginário no ambiente acadêmico é reconhecer que esses desafios fazem parte do exercício da cidadania e da convivência democrática”, pontuou.
O encontro terminou com uma reflexão sobre o papel da formação universitária na construção do pensamento crítico. “Que vocês tenham com a memória e a verdade um compromisso constante, pois conhecer os mitos é aprender a reconhecê-los, garantindo que a ignorância não construa inimigos onde existem pessoas”, concluiu.
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