Ter férias não é um luxo, é necessidade

Por Isabela Pereira Henze, professora de Psicologia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio

18.12.202510h17 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Ter férias não é um luxo, é necessidade

Muitas pessoas apresentam dificuldades em tirar férias, algumas por acreditarem que perdem valor se não forem produtivas; outras porque consideram que “não fazer nada” é sinônimo de preguiça. A verdade, porém, é que seu cérebro e seu corpo foram programados para pausas e descanso. Durante as atividades, o cérebro sinaliza para que o corpo produza mais cortisol, permitindo que fiquemos atentos e despertos. No entanto, quando essa liberação permanece elevada por um período contínuo, com redução do tempo dedicado ao lazer, o cortisol acaba afetando áreas cerebrais relacionadas à memória e à atenção, provocando irritabilidade, piora do desempenho, sintomas ansiosos e outros prejuízos.

Quando diminuímos o ritmo, o corpo reduz os níveis de estresse, a atenção melhora e a mente ganha espaço para reorganizar ideias, emoções e prioridades. É nesse período que recuperamos energia, fortalecemos vínculos e permitimos que a criatividade volte a fluir.

Isso não quer dizer que férias sejam a substituição do trabalho ou estudo por uma lista de tarefas, mantendo o cortisol elevado da mesma forma. Descansar não significa encher a agenda. Muitas vezes, o verdadeiro descanso está nas pequenas escolhas: dormir melhor, reduzir o tempo de telas, caminhar ao ar livre, brincar com as crianças sem pressa ou simplesmente não fazer nada por alguns minutos. Esse “não fazer” oferece ao cérebro a chance de se recompor, processar informações e restaurar funções importantes, como memória e tomada de decisão.

Seja qual for o seu estilo de descanso, lembre-se: as férias são um investimento na sua saúde mental. Ao voltar, você não traz apenas lembranças, traz também mais equilíbrio, clareza e disposição para recomeçar.