Pós-pandemia exigirá mais adaptações para deficientes visuais

Com necessidade de tocar em superfícies, cegos precisarão ter mais cuidado no cotidiano

29.06.202012h28 Comunicação - Marketing Mackenzie

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A atual pandemia do coronavírus provocou muitas mudanças no comportamento das pessoas e na forma como se lida com o ambiente em que se vive. Higienizar as mãos após tocar em superfícies, usar álcool em gel, retirar sapatos ao entrar em casa foram alguns costumes que viraram rotina durante a atualidade. Todavia, a pandemia oferece riscos dobrados e exigirá maiores adaptações para a população deficiente visual. 

Os deficientes visuais precisam se orientar pelos outros sentidos, principalmente audição e tato. Ao utilizar o braille para ler, por exemplo, um deficiente visual precisa tocar em superfícies e, por conta disso, se coloca em risco de contrair o coronavírus, já que este se transmite pelo contato com mucosas (boca, nariz e olhos). 

“As pessoas com deficiência visual se tornam mais vulneráveis aos riscos, por fazerem uso do tato, pelo contato direto com as pessoas e por necessitarem tocar em pontos de apoio, tais como mesa, corrimão e outras superfícies”, afirmou a auxiliar de Inclusão do Colégio Presbiteriano Mackenzie (CPM) São Paulo, Maria Angélica De Paula Couto. 

A professora ainda acrescenta que os deficientes visuais possuem dificuldades em saber se estão dentro das medidas de distanciamento social consideradas seguras, além de precisarem se preocupar com correta higienização das bengalas de orientação, que encostam em diversas superfícies. 

“Os cuidados com higienização devem ser redobrados. Vale ressaltar que as pessoas com deficiência visual dependem muito da conscientização dos outros”, afirmou a professora.

O nadador Wendell Belarmino, patrocinado pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), conta como tem sido lidar com essas preocupações extras.

“Nós precisamos do tato para 'vermos' o que está ao nosso redor. Temos que ter muito cuidado com o que tocamos, temos sempre que higienizar as mãos”, explicou o atleta, que manteve uma rotina de treinos adaptada para o período de isolamento social. 

Maria Angélica explica que os deficientes visuais precisam tomar cuidados que vão além das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incluem lavar as mãos com frequência e usar máscaras. Além disso, pessoas cegas precisam higienizar com água e sabão ou álcool 70% sua bengala sempre que sair; quando precisar de ajuda para locomoção, guiar-se sempre pelo ombro do próximo; para os que fazem uso dos óculos, lavá-los diversas vezes no decorrer do dia. 

No Mackenzie, as preparações para a retomada das aulas presenciais, mesmo que sem data definida, incluem também uma preocupação com os deficientes visuais.

“Manteremos todo apoio, por meio de tutoria, inseridos nos protocolos de higienização, distanciamento e ensino híbrido”, explicou Maria Angélica.

No momento, os alunos com deficiência visual são assistidos por podcasts, com a audiodescrição dos conteúdos de ensino.  

“Nossa vida vai voltar próxima ao que era antes porque, com uma mudança dessas, não dá para dizer que vai ser 100% igual, mas dentro do possível vai ser uma vida normal, claro, com os cuidados de higiene maiores”, conclui Belarmino.