Colóquio Habitar em devir: [Des]Enclausuramentos de 13/06 a 17/06

Colóquio Habitar em devir: [Des]Enclausuramentos de 13/06 a 17/06

06.06.2022

Coordenação


Organização:

Grupo de pesquisa PPGAU FAU-Mackenzie:  Cidade e Arquitetura e Filosofia

Financiamento: MSH Paris Nord

Coordenador: Prof Dr.Igor Guatelli  - PPGAU FAU-Mackenzie

 

Link Transmissão YouTube:
PPGAU FAU Mackenzie: https://www.youtube.com/channel/UCyvlFSfpUsufdO7whCTnoxA

 

Sobre o tema do Colóquio:

Em sua inacabada obra, Passagens, Walter Benjamin vaticina que estamos nos tornando muito pobres em experiências de limiares. A modernidade, a vida moderna, têm tornado irreconhecíveis os “ritos de passagem”. Limiares são portas a um outro, exterioridades que dão acesso a um outro ainda sem enunciação e anunciação, passagem ao que estamos em vias de nos tornarmos. A porta é sempre algo que se abre adiante de nós, mas que também pode se fechar diante ou depois de nós, uma experiência de limiar de um outro que pode ou não se realizar.

Em um mundo cada vez mais configurado a partir de restrições, interdições e falta de horizonte, sintomas das portas fechadas, algumas portas são abertas sem consentimento, outras são criadas e provocadas a partir da experiência de limiares quase impossíveis. Se, tal como Benjamin diz, a modernidade instituiu o empobrecimento das experiências de passagem a um outro imprevisível, a horizontes não delineados, o pensamento ainda resta como limiar em potência. Mas de que forma podemos pensar o pensamento como uma porta que se abre, como ampliação de horizontes? Limiares não são simplesmente apagados ou preservados, eles são criados como experiência de devir e porvir. Resta-nos pensar como ativar essa experiência.

E se ainda resta algo a ser pensado, estamos no campo das cinzas, e de seu possível retorno, já que, de alguma forma tudo pode retornar. Mas podemos salvar essas cinzas, em seu retorno,  de um eidos que está sempre à espreita, uma razão idealizante e totalizante? Cinzas, poeiras estão sempre fora de lugar. Tendendo ao desaparecimento e, ao mesmo tempo, fantasmas de algo, carregam e disseminam formas e conteúdos de outros tempos, fora do tempo. Entretanto,  potencialmente, seriam também capazes de se transformar em pólens, receptáculos com material genético, aptos a carregar traços de e em direção a outros tempos? Traços de um antes como portas a um outro.  De que cinzas como portas a, e, não apenas restos de, podemos falar?

Imagens, em um certo sentido, são traços, cinzas de um antes que se transformam em pólens  de algo ainda a ser dito e pensado quando fertilizadas. As cinzas, poeiras, pólens passam por todas as portas, estão por toda parte, nos lembra Derrida em “Sauver les phènoménes”: “Le cendre est partout (ubique), dehors et dedans ( intus) – dont le corps ne peut plus être enfermé en un seul lieu”.

Não são poucos os pensadores, ensaístas, filósofos, artistas no século XX que se debruçaram sobre a questão elegendo o mundo das imagens como essa alavanca; Roland Barthes, Georges Didi-Huberman, Harum Farocki , Jacques Rancière são alguns deles.

O colóquio faz parte de uma pesquisa, em andamento, intitulada “Habitar em devir: outras moradas”, coordenada pelo Prof Igor Guatelli, financiada pela MSH Paris-Nord, com a participação de docentes da FAU-MACKENZIE, FAU-USP, FAU-UFRGS e Gerphau-ENSA Paris LaVillette. Tendo como foco os processos de transformação, mutação ligadas a noção de demeure, de morada, de permanência, de persistência em ou junto de algo, alguém, coloca-se também como lugar da morada de um pensamento sobre os devires estéticos das existências comunais minoritárias.

Lugar de um pensamento livre provocado por conceitos, propõe ativar o exercício da experiência de limiares a partir de uma hermenêutica construída com e através de  intertextualidades de imagens. Imagens que, avizinhadas, associadas, colocadas em proximidade passam a funcionar como portas adiante, diante ou depois de nós. De que modos podemos fazer dessa experiência das imagens um limiar [in]surgente a, e, de um outro?

Sejam lugares com portas instáveis, ainda latentes, ínfimas, parergonais, marginais, sem garantias de permanência, importante pensar em como abri-las ou mantê-las abertas.

 

Programação:

 

Abertura:

13/06 19:15

 

Local: Auditório Edifício João Calvino

Transmissão youtube: https://www.youtube.com/channel/UCyvlFSfpUsufdO7whCTnoxA

 

Angelica T. Alvim- diretora FAU-MACKENZIE

Luiz Guilherme Rivera de Castro – Coordenador PPGAU FAU-MACKENZIE

Igor Guatelli- professor PPGAU FAU-MACKENZIE e organizador do evento

 

 

Mesas

13/06 19:30

Local: Auditório Edifício João Calvino

Transmissão youtube- http://bit.ly/PPGAU-FAU-Mackenzie

 

Portas-extra-vagantes

Mediadora: Maria Isabel Imbronito – FAU-MACKENZIE

 

Marta Bogéa – FAU-USP

Giselle Beiguelman – FAU-USP

Igor Guatelli – FAU-MACKENZIE e GERPHAU- ENSA Paris La Villette e Paris 8

 

14/06 18:30

Transmissão youtube- http://bit.ly/PPGAU-FAU-Mackenzie 

 

Portas Periféricas

Mediador Isabela Sollero Lemos – FAU-USP (doutoranda)

 

Fernando de Mello Franco – FAU-MACKENZIE

Eugenio Queiroga – FAU-USP

Nelson Brissac -PUC-SP

 

15/06 18:30

Transmissão youtube- http://bit.ly/PPGAU-FAU-Mackenzie

 

Portas Itinerantes

Mediador Antonio Fabiano Jr. – FAU-MACKENZIE

 

Luis Antonio Jorge – FAU-USP

Tuca Vieira

Guilherme Wisnik – FAU-USP

 

16/06 18:30

Transmissão youtube- http://bit.ly/PPGAU-FAU-Mackenzie

 

Portas Virtuais

Mediador Luciano Pessoa FAU-USP (doutorando)

 

Fernando Fuão  –  FAU-UFRGS

José Carlos Lemos – FAU-UFRGS

Wellington Cançado – FAU-UFMG

Agnaldo Farias – FAU-USP

 

17/06  18:30

Transmissão youtube- http://bit.ly/PPGAU-FAU-Mackenzie

Encerramento

[DES]enclausuramentos e Alteridade

Guilherme Wisnik, Nelson Brissac, Igor Guatelli

 

Programação Completa (clique aqui)