Com diversas variações climáticas, normais da atual estação, é natural que o nosso corpo sinta o impacto, abrindo portas para alergias, gripes e resfriados. Como os sintomas iniciais são muito parecidos, como coriza, tosse e febre baixa, a primeira reação de muita gente é buscar alívio rápido com aqueles remédios que ficam guardados em casa. No entanto, tentar "adivinhar" o próprio diagnóstico e se medicar por conta própria é um perigo silencioso que pode mascarar problemas maiores. Para mantermos nosso bem-estar em alta, a informação transparente e o autocuidado consciente são sempre os nossos melhores aliados.
Para entendermos os riscos dessa prática, convidamos Bruno Batista da Silva, professor do curso de Farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), para esclarecer o assunto. Ele alerta que um dos maiores tropeços é o uso de antibióticos sem orientação profissional. "Resfriados e gripes são causados por vírus e não melhoram com antibióticos. O uso inadequado desses medicamentos favorece o surgimento de bactérias resistentes, as chamadas superbactérias, tornando infecções futuras mais difíceis de tratar", explica o professor.
Outra dúvida muito comum nesta época do ano envolve a busca por "vitaminas milagrosas" na esperança de blindar a imunidade. O docente esclarece a diferença entre o mito e o que realmente funciona. "As evidências científicas mostram que esses produtos oferecem benefícios limitados. Alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física, hidratação e controle do estresse são as medidas mais eficazes para o sistema imunológico". Ele também reforça, com otimismo, que a vacinação segue sendo a ferramenta preventiva mais poderosa, pois reduz riscos e protege não apenas o indivíduo, mas todos ao redor.
Saber a hora exata de procurar ajuda é o grande divisor de águas para a nossa saúde. O especialista orienta que, enquanto quadros leves pedem apenas repouso e hidratação, é preciso estar atento aos sinais do corpo. "Febre alta persistente, dificuldade para respirar, dor no peito, confusão mental, piora após uma melhora inicial ou sintomas que duram mais de uma semana são sinais de alerta que exigem atendimento médico", orienta. Enfrentar as mudanças de clima de forma saudável e segura é totalmente possível, basta trocarmos as falsas soluções mágicas pela informação de qualidade e pelo cuidado com a vida.
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