No dia 19 de junho, celebramos o Dia do Cinema Brasileiro, uma data que vai muito além das telas. Ela exalta nossa capacidade de contar histórias e expressar nossa identidade cultural. Além do entretenimento, as obras nacionais funcionam como um espelho da sociedade, permitindo que diferentes gerações se conectem com suas raízes. Por meio das imagens e dos sons produzidos, temos a oportunidade única de revisitar o passado, compreender as complexidades do presente e projetar o futuro com um olhar genuinamente nosso.
Para compreender a fundo esse impacto, conversamos com o coordenador dos cursos de Jornalismo e de Cinema e Audiovisual da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Hugo Harris, que destaca o poder do cinema em debater questões sociais, políticas e históricas ao se aproximar de um simulacro da realidade. "A gente assiste e parece que estamos de fato vendo a vida real correr à nossa frente. O cinema tem esse impacto porque as pessoas aprendem com ele por parecer que elas vivenciam aquilo junto", explica Harris. Para ele, essa vivência compartilhada é fundamental para que as novas gerações conheçam tanto a sua história quanto a nossa própria cultura.
Ao analisar a preferência do grande público pelas produções estrangeiras, Harris traz uma visão transparente e otimista, desmistificando a ideia de que o brasileiro rejeita as obras locais. Segundo ele, o que existe é uma questão de costume, já que o público busca diversão e costuma associá-la àquilo com que já está habituado. "Não acho que haja um preconceito, eu acho que há um hábito de ver filmes estrangeiros e um hábito menor em ver filmes brasileiros", pontua. O educador ressalta que esse cenário tem melhorado com o sucesso recente de produções populares e premiadas, e que o público "talvez precise se acostumar mais com o cinema brasileiro. E então, ter mais acesso a isso".
Embora o país ainda enfrente velhos problemas de distribuição física nas salas de exibição, as novas tecnologias surgem como grandes aliadas na descentralização e no fortalecimento dessa identidade. Harris concorda que as plataformas de streaming e os canais a cabo têm desempenhado um papel crucial ao apoiar a produção local e democratizar o alcance das obras. Facilitando o contato diário de cada um de nós com as narrativas do país, a era digital não apenas amplia o acesso, mas transforma o cinema nacional em um patrimônio vivo e presente no nosso cotidiano.
Neste Dia do Cinema Brasileiro, o convite que fica para todos nós é o de dar mais espaço para as nossas próprias histórias. Que tal aproveitar as facilidades do mundo digital, escolher um título nacional e celebrar a riqueza da nossa cultura hoje mesmo? Valorizar o nosso cinema é preservar a memória do país e reconhecer que, seja nas telonas ou no sofá de casa, as nossas narrativas merecem ser vistas e aplaudidas.
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