Mackenzie tem novo vice-reitor

Luiz Roberto Martins Rocha toma posse em cerimônia marcada por reflexões sobre os desafios da educação superior e o compromisso confessional da instituição

28.04.202615h27 Bruno Carvalho

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A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) formalizou, na última sexta-feira, 24 de abril, a posse de seu novo vice-reitor, Luiz Roberto Martins Rocha. O ato encerra um período de seis anos sem o cargo na estrutura da instituição e marca a reativação da Vice-Reitoria com ampliação de responsabilidades. Antes de assumir a função, Luiz Roberto ocupava a Diretoria de Educação e Saúde do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM). Doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com especialização em Recursos Humanos para a Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública, ele acumula uma trajetória de gestão educacional e acadêmica que inclui passagem pela Universidade do Vale do Sapucaí, onde atuou como vice-reitor, e professor do curso de Medicina e do Mestrado em Bioética.

A cerimônia reuniu autoridades acadêmicas, eclesiásticas, representantes da mantenedora e unidades mantidas, familiares do empossado e foi marcada por discursos sobre o contexto social contemporâneo e os desafios da educação superior.

Em seu discurso de posse, o novo vice-reitor convocou a comunidade acadêmica a olhar tanto para fora quanto para dentro dos muros da universidade. Para ilustrar as transformações do mundo atual, recorreu a um exercício que diz realizar anualmente: verificar as palavras do ano escolhidas pelos dicionários Cambridge e Oxford. Em 2025, o Cambridge elegeu parassocial, termo que descreve relações de mão única, em que uma pessoa sente conhecer intimamente alguém que nunca encontrou de fato. O Oxford, por sua vez, escolheu rage-bait, definido como conteúdo digital criado deliberadamente para provocar raiva e aumentar o engajamento nas redes sociais. "A simplificação dessas duas escolhas serve para nos aproximar de uma melhor compreensão da acentuada rotação dos valores e dos comportamentos. Vivemos um tempo de profundas mudanças em intervalos cada vez menores de tempo", afirmou.

Ao olhar para dentro, Luiz Roberto fez uma retrospectiva da trajetória da instituição, que já atravessou a Proclamação da República, duas guerras mundiais, a crise de 1929, a industrialização brasileira e a pandemia de Covid-19, para reafirmar o papel central do Mackenzie na formação de profissionais e no desenvolvimento do país. "É muita gente talentosa, brilhante, capacitada e séria que passou por aqui, levantou voo e hoje impacta o mundo do trabalho em âmbito global", disse.

Sobre os desafios do presente, o vice-reitor foi direto, "estamos diante da urgência de integrar a tecnologia sem permitir o empobrecimento pedagógico." Ele anunciou o compromisso de continuar a garantir uma experiência universitária de altíssima qualidade e encerrou com um convite à comunidade, "minha sala será sempre um espaço de escuta, de encontro e de abraço. Estamos aqui para caminhar juntos, em um ambiente de respeito e mútua colaboração".

O reitor da UPM, professor Marco Tullio de Castro Vasconcelos, destacou a densidade da trajetória do novo vice-reitor e a relevância de sua chegada para o projeto institucional. "Sua chegada à Vice-Reitoria representa um fortalecimento de um projeto institucional que exige, cada vez mais, liderança colaborativa, capacidade de articulação e compromisso com a excelência acadêmica e administrativa", afirmou, acrescentando que tem "a firme convicção de que a trajetória do professor Luiz Roberto será feliz e produtiva" no Mackenzie.

O chanceler, reverendo Robinson Grangeiro, baseando-se no episódio bíblico da unção de Davi, narrado em I Samuel 16, refletiu sobre os fundamentos da escolha e da autoridade. "Os homens apenas reconhecem a escolha de Deus. E, na sua melhor percepção, decidem aquilo que Deus certamente já decidiu desde toda a eternidade", disse. Para o chanceler, a posse não é apenas um ritual institucional, mas um ato que carrega dimensões de capacitação e autorização. "Essa capacitação lhe traz uma nítida consciência de que, sem mim, diz o Senhor, nada podeis fazer", declarou, dirigindo-se ao empossado.

O presidente do Conselho Deliberativo do IPM, Hésio César de Souza Maciel, trouxe ao discurso uma leitura do cenário geopolítico e educacional contemporâneo. Citando a pesquisa Genial/Quest sobre gerações brasileiras, destacou que a chamada "Geração.com", nascida entre 2000 e 2009, é marcada pela rejeição à polarização e pela busca de soluções práticas. "Estamos preparados como instituição educacional para os novos tempos e as novas gerações?", questionou. Ele também alertou para os desafios impostos pela inteligência artificial, citando o CEO da OpenAI, Sam Altman, que prevê transformações aceleradas, "as sociedades estão com o foco desregulado e perdidas em guerras tribais enquanto o futuro se constrói", citou ele. Para Maciel, no entanto, o diferencial do Mackenzie segue sendo a confessionalidade, e sua expressão mais concreta, o amor fraterno entre as pessoas. "Que a Universidade Presbiteriana Mackenzie continue fundamentada nos compromissos com Deus, com as pessoas e com as ciências divinas e humanas", concluiu.

Representando o presidente do IPM, reverendo Cid Caldas, o diretor de Finanças, José Paulo Fernandes Júnior, ressaltou as competências que espera ver no novo gestor: colaboração, inovação, pensamento crítico e capacidade de transformar incerteza em vantagem competitiva. "Liderança de sucesso reúne algumas competências. Você tem inúmeras delas", afirmou, lembrando ainda do compromisso de manter vivo o espírito de pertencimento entre os alunos, o chamado "espírito mackenzista".

O primeiro secretário do Conselho Deliberativo, Adilson Vieira, foi direto em sua avaliação, "o professor que acaba de assumir a Vice-Reitoria é um homem qualificado, tem conhecimento na área, uma vasta experiência. A universidade ganha com a sua chegada".