Docente mackenzista é nomeada diretora do Laboratório Nacional de Astrofísica

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Adriana Benetti se torna a primeira mulher a ocupar o cargo em 40 anos de história da instituição

06.07.2026

Letícia Chang, sob orientação de Nicolly Alves


Adriana Benetti Marques Valio, professora da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e pesquisadora do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), foi nomeada Diretora do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), centro de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A professora contou que recebeu a notícia de nomeação com muita honra e fortes emoções. Para ela esse reconhecimento vai além de sua trajetória pessoal, pois representa o trabalho coletivo construído ao longo de anos na UPM, no CRAAM e na comunidade astronômica brasileira: “Ser a primeira mulher a dirigir o LNA em seus quarenta anos de história é algo que me toca profundamente, devido ao que representa para tantas jovens pesquisadoras que estão construindo seus caminhos na ciência”. 

O Laboratório Nacional de Astrofísica foi fundado em 1985 no Brasil, e desde então é considerado a principal infraestrutura de astronomia observacional do país. Sediado em Itajubá (MG), o LNA opera o Observatório Pico dos Dias (OPD), que abriga o maior telescópio em solo brasileiro. 

Adriana destacou que o CRAAM a formou como pesquisadora e gestora científica, devido a história do centro como pioneiro na radioastronomia e nas ciências espaciais do Brasil, a unidade exigiu que a pesquisadora operasse em ambientes de colaboração intensa com parcerias de longa data com instituições nacionais e internacionais. “Essa experiência de trabalhar em um ambiente multidisciplinar, de desenvolver instrumentação, de coordenar equipes e de manter parcerias de longo prazo é exatamente o que o LNA exige de sua direção”, disse.

A pesquisadora ainda explicou que a astronomia brasileira se encontra em um momento singular, graças a importantes investimentos em curso, como a modernização do OPD com novos telescópios robóticos e a participação do Brasil em consórcios internacionais. Para ela, o maior desafio é garantir que essa infraestrutura se transforme em excelência científica, sobretudo, para que inspire as novas gerações de pesquisadores. “A oportunidade está justamente aqui, nunca tivemos tantas condições de colocar a astronomia brasileira em um patamar verdadeiramente competitivo no cenário global”, contou. 

A professora evidenciou que o Mackenzie foi fundamental para a construção de sua carreira, a partir do comprometimento com a formação humana e a liberdade de pesquisa, ela desenvolveu habilidades de liderança enquanto era coordenadora do programa de pós-graduação em Ciências e Aplicações Geoespaciais. “A convivência com alunos de graduação e pós-graduação ao longo de tantos anos me ensinou que ciência se faz com pessoas, e que liderar é, antes de tudo, criar condições para que outros possam desenvolver seu melhor”, destacou a docente.  

Para finalizar Valio explicou que espera construir um legado de protagonismo cada vez maior na astronomia nacional e internacional para o LNA, a partir de três pilares: o primeiro sendo uma produção de ponta, com uma pesquisa competitiva; o segundo é a formação de recursos humanos qualificados, para garantir que o laboratório continue sendo um espaço de crescimento de novos pesquisadores; e o terceiro é a divulgação da astronomia para a sociedade, com o objetivo inspirar pessoas de todas as idades.

“Uma sociedade que olha para o céu com curiosidade e compreensão é uma população mais preparada para os desafios do futuro”, concluiu Adriana.