2019 - Bruna Galfi Savarese - Direito


Desde que eu iniciei a graduação em Direito, em 2016, fui pesquisar sobre as oportunidades de intercâmbio oferecidas pela faculdade, pois sempre foi um sonho meu estudar um período no exterior. No início, eu imaginava que era uma oportunidade fora do meu alcance, tudo me parecia extremamente burocrático e distante de concretizar-se de fato.

No entanto, depois de pesquisar com bastante atenção, ler o edital e o manual do intercâmbio, no meu quarto semestre eu tomei a decisão de que eu queria realmente me candidatar a uma vaga. Para que isso ocorresse, escolhi o país em que queria estudar, no caso a Itália, e comecei a ter aulas de italiano. Como segunda opção, por cautela, também aproveitei para tirar o certificado de inglês.

Quando eu estava na metade do quinto semestre, eu já estava preparando todos os documentos pedidos no edital, como as cartas de motivação, recomendação e plano de estudos. Também tive que renovar o meu passaporte e tirar o certificado do MLC em italiano. Na minha experiência, a antecedência é a parte mais importante de todo o processo seletivo, pois a preparação deve começar bem antes do semestre previsto para a partida.

Após ter escolhido o país, também pesquisei bastante sobre as opções de faculdade, sobre as cidades e sobre as matérias oferecidas em cada instituição. É muito importante ler com atenção o nível de idioma e certificado exigido por cada faculdade, a fim de evitar que a candidatura seja indeferida. Após pensar muito, selecionei duas faculdades: a de Bologna e a de Ferrara.

Eu fui aceita na faculdade de Ferrara, uma cidade relativamente pequena, mas não tão pequena para os padrões italianos. Depois da aceitação, foram longos meses de ansiedade até a chegada na Itália. Eu optei por chegar três semanas antes das aulas de fato começaram, pois assim tive tempo para resolver questões burocráticas como aluguel de apartamento e abrir uma conta no banco.

Uma semana antes das aulas começarem, nós tivemos uma semana de integração, onde os próprios alunos da instituição receberam todos os alunos intercambistas. A integração foi fundamental não só para conhecer a faculdade e todo o sistema universitário que é muito diferente do nosso, mas também para fazer novas amizades e conhecer pessoas do mundo tudo.

Depois da semana de integração, no primeiro dia de aula tivemos um coquetel de boas-vindas na faculdade de Direito, onde os professores e alunos se reuniram. Logo em seguida, eu tive dúvidas sobre seguir as aulas em inglês ou segui-las em italiano conforme o meu plano de estudo inicial. No final, acabei optando por sair da minha zona de conforto e cursei todas as disciplinas em italiano.

Como a grande maioria dos intercambistas opta por estudar em inglês, no início foi um pouco difícil a adaptação, não somente porque eu tinha uma certa dificuldade para acompanhar as aulas, mas porque além de mim só tinha uma outra intercambista alemã que fazia as aulas em italiano. Contudo, após um mês eu já tinha pego o ritmo das aulas e já conseguia ler os livros sem fazer tantas pausas para usar o dicionário.

A vida em Ferrara é bastante tranquila e segura. A cidade é conhecida como a cidade das bicicletas e é a segunda maior cidade da Europa em número de ciclistas, perdendo apenas para Amsterdam. O que eu mais gostei é que Ferrara não é uma cidade extremamente turística e caótica, os preços são mais acessíveis do que em outras cidades grandes italianas, e a experiência de viver lá se torna mais genuína.

Além disso, é impressionante como existem pessoas do mundo todo que estudam aqui. Essa é uma das partes mais ricas de toda a experiência, com certeza. Você acaba entrando em contato com tantas culturas diversas e conhecendo mais do mundo todo em uma província de 130 mil habitantes.

Com relação à parte acadêmica, foi bastante desafiador a adaptação ao sistema de avaliação italiano, uma vez que todas as provas na faculdade de Direito são orais. A preparação deve ser feita com bastante antecedência, pois não existe diferenciação entre os alunos regulares e os intercambistas. A experiência de realizar uma prova oral em outro idioma foi muito enriquecedora, pois eu jamais imaginei que seria capaz de tanto.

De fato, o intercâmbio é uma constante saída da zona de conforto. Seja academicamente, seja culturalmente, são tantas modificações e adaptações necessárias para se acostumar com o novo país e instituição de ensino, que tornam toda a experiência única. Não apenas o intercâmbio com o COI oferece a oportunidade de estudar matérias que do contrário não teríamos contato, mas a bagagem de vida adquirida vai muito além disso.

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