Neste sábado, 25 de julho, será comemorado o Dia Nacional do Escritor, um marco na história da literatura brasileira. A data homenageia os profissionais responsáveis em transformar ideias em textos, aqueles que dão a nós, leitores, a possibilidade de viajar por lugares, culturas e tempos totalmente diferentes dos nossos, por meio de histórias tão marcantes e especiais.
Instituído em 1960 como uma iniciativa da União Brasileira de Escritores (UBE), após a realização do 1° Festival do Escritor Brasileiro, a data tornou-se um marco simbólico para celebrar o impacto da escrita no Brasil. Midian Rebeca Justino de Araújo, professora de Língua Portuguesa, Literatura e Produção Textual do Colégio Presbiteriano Mackenzie (CPM) Agnes, em Recife, descreveu com muita delicadeza como certas histórias transbordam dos livros e marcam a vida, fazendo com que o enredo se torne uma parte de nós. “Há livros que terminam na última página. Outros, porém, continuam nos lendo muito tempo depois que fechamos a capa”.
A professora apontou ainda a importância de comemorar o Dia Nacional do Escritor, pois o marco não se baseia somente em relembrar nomes importantes da literatura, mas também em celebrar os homens e mulheres que transformam palavras em um encontro de gerações. “Em tempos marcados pela velocidade das informações, pelo excesso de opiniões e pela superficialidade das relações, revisitar nossos escritores talvez seja também um gesto de resistência”.
Além da literatura brasileira ser rica em histórias, ela é repleta de autores que marcaram a sua época e aquelas por vir. Araújo cita alguns deles:
Machado de Assis
Para a professora o momento em que o leitor vivência uma leitura transcendente é em Dom Casmurro, quando seguimos o olhar de Bentinho enquanto Capitu desce lentamente a escada. “A cena poderia passar despercebida, não fosse a delicadeza com que Machado transforma um simples olhar em uma das imagens mais inesquecíveis da literatura brasileira”, disse.
Cecília Meireles
Araújo explicou que a autora possui a mesma capacidade que Machado para levar o leitor ao sublime, com a obra Romanceiro da Inconfidência. A professora evidenciou que Cecília não define o que é liberdade em palavras, ela leva esse sentimento ao leitor. “Seus poemas nos lembram que algumas verdades não são compreendidas apenas pela razão. Antes de serem entendidas, precisam ser sentidas”.
Ariano Suassuna
O autor foi capaz de transformar o sertão em um lugar onde convivem humor, sofrimento, esperança e fé. Araújo descreveu O Auto da Compadecida como uma história em que os personagens revelam a sua dignidade humana não pela falta de dificuldades, mas sim pela capacidade de reinventar-se sobre elas.
A professora do CPM Agnes ainda indicou outros autores que, de diferentes formas, marcaram a literatura nacional: João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Érico Veríssimo são alguns dos escritores que conseguiram, por meio de estilo de escrita próprio, nos levar a apreciar a arte das palavras.
Midian Araújo também expressou que celebrar o Dia Nacional do Escritor se tornou cada vez mais importante, pois o mundo atual é repleto de informações rápidas e seu consumo tem provocado uma maior dificuldade de retenção de atenção e nos índices de leitura. “Talvez o maior tributo que possamos prestar à literatura brasileira não seja apenas homenagear seus autores, mas abrir novamente seus livros. Porque, para além da última página, eles permanecem entre nós”, finalizou.





