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Antigos mackenzistas constroem trajetória internacional na supercomputação

Profissionais da área de Computação e Sistemas de Informação integram equipe do Barcelona Supercomputing Center e destacam oportunidades de internacionalização para estudantes brasileiros 

15.09.202616h19 Bruno Carvalho

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Antigos mackenzistas constroem trajetória internacional na supercomputação

A formação no Mackenzie foi o ponto de partida para a trajetória internacional de três profissionais que hoje trabalham no Barcelona Supercomputing Center (BSC), na Espanha. Bruno Kinoshita, formado em Sistemas de Informação pela Faculdade de Computação e Informática (FCI), Erick Lopes e Manuel de Castro, que também passaram pela instituição, integram uma mesma equipe dedicada ao desenvolvimento e à otimização de ferramentas para supercomputadores. 

Localizado em Barcelona, o BSC reúne aproximadamente 1.500 profissionais e atua em pesquisas que envolvem áreas como Ciências da Computação, Ciências da Terra, Ciências da Vida e Engenharia Computacional. O ambiente internacional também se reflete na composição das equipes, que reúnem pesquisadores e profissionais de diferentes países. 

Para Bruno Kinoshita, que está há quatro anos no BSC e viveu anteriormente, por oito anos, na Nova Zelândia, a experiência demonstra como a formação acadêmica pode abrir caminhos para oportunidades profissionais fora do Brasil. “O nosso centro de pesquisa é bem importante aqui na Europa”, destaca. 

A trajetória de Bruno começou ainda durante a graduação em Sistemas de Informação. No primeiro ano do curso, conseguiu um estágio na Claro, trabalhando com Java e serviços de valor agregado. Depois, passou por empresas como TIM, Vivo, Riachuelo, Banco do Brasil, Equifax, Boa Vista e Tokio Marine. Também participou de projetos de código aberto por recomendação do professor Rogério Theodoro de Brito e desenvolveu o trabalho final de graduação sobre lógica difusa e sistemas de decisão. 

Após concluir o curso, Bruno viajou para a Nova Zelândia e posteriormente decidiu emigrar para o país. Seu primeiro emprego na área foi no NIWA, centro nacional de pesquisas sobre água e atmosfera, onde passou a desenvolver ferramentas de workflows em supercomputadores para modelos de tempo e clima. 

A experiência adquirida na Nova Zelândia abriu caminho para a mudança para a Espanha. “Busquei um emprego com fluxos de trabalho, supercomputadores e clima e tempo, encontrei uma vaga na BSC para fazer o mesmo que fazia na Nova Zelândia”, conta. No mês passado, Bruno também concluiu o mestrado em supercomputadores pela Universidade de Santiago de Compostela. Durante o processo, contou com o apoio do Centro de Orientação e Informação (COI) do Mackenzie para reunir a documentação necessária ao reconhecimento do diploma. 

Atualmente, Bruno trabalha ao lado de Erick e Manuel no desenvolvimento do Autosubmit, uma ferramenta de código aberto mantida no GitHub e utilizada para orquestrar fluxos de trabalho que executam simulações de clima e tempo em supercomputadores na Europa e na Ásia. A equipe utiliza tecnologias como Python, Shell Script, Slurm, Lustre, GPFS, MPI, OpenMP e CUDA. 

Da formação no Mackenzie à pesquisa internacional 

A história de Manuel de Castro com o Mackenzie começou muito antes de sua passagem pela FCI. Filho de professor da Escola de Engenharia (EE), estudou na instituição desde a educação infantil até o primeiro ano de Ciências da Computação. Depois, transferiu-se para a Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em Matemática Aplicada pelo Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP), em 2021. 

“Apesar de não ter feito a graduação, eu tenho muito tempo de Mackenzie”, afirma. Para ele, a instituição teve papel importante não apenas na formação acadêmica, mas também em sua trajetória pessoal. “A escola foi fundamental para minha formação como pessoa. Os professores que me educaram, e que eu ainda lembro com muita nostalgia, e os amigos que eu fiz durante esse período da minha vida foram essenciais para que eu pudesse chegar aonde estou.” 

Hoje, Manuel é aluno de doutorado no BSC, no departamento de Ciências da Terra, onde pesquisa maneiras de otimizar o uso de supercomputadores. Seu trabalho está relacionado às simulações utilizadas para compreender os impactos do aquecimento global. 

O processamento dessas simulações exige uma infraestrutura de grande escala. Segundo Manuel, uma simulação pode rodar durante meses em computadores como o MareNostrum 5 e gerar centenas de terabytes de dados para cada ano simulado. Para lidar com esse volume, as tarefas são divididas em diferentes etapas, os chamados workflows. 

“Meu trabalho é entender quando é que vale mais a pena executar um pedacinho ou outro a depender do estado da (super)máquina, com o fim de acelerar essas simulações sem que elas falhem”, explica. 

Erick Lopes também construiu uma trajetória internacional que passou pelo Mackenzie antes de chegar à Espanha. Ele iniciou sua formação como estudante de pesquisa na instituição, participando de um projeto do CNPq voltado à identificação de sinais de transtornos psicológicos em crianças. 

Antes mesmo de concluir a graduação, começou a planejar um intercâmbio e uma pós-graduação na Irlanda. Durante o período no país, trabalhou em diferentes atividades até conseguir concluir sua formação e buscar uma oportunidade profissional na área de Computação na Europa. 

A aproximação com o BSC aconteceu por indicação de Manuel. “Eu já tinha experiência na área de pesquisa em TI, o que foi muito positivo, e com orquestradores de trabalho, ainda que não tão extensos”, relata. Ao chegar ao centro, passou a trabalhar também com Bruno, que, além de colega, tornou-se seu mentor. 

“Posso dizer que o Mackenzie ainda influencia minha vida, e estou onde estou hoje graças às pessoas e aprendizagens que tive ao longo do meu percurso”, afirma Erick. 

Supercomputação e oportunidades para brasileiros 

No BSC, Erick atua como desenvolvedor de um orquestrador de submissão de tarefas para supercomputadores. A ferramenta permite que pesquisadores executem suas atividades de acordo com necessidades específicas de processamento e tempo de execução. 

Entre suas atribuições estão o desenvolvimento da interface que conecta projetos aos supercomputadores, a criação de ambientes de testes, a atualização de códigos e o desenvolvimento de novas funcionalidades. A equipe também mantém contato direto com os usuários para compreender demandas e propor soluções. 

A experiência dos três profissionais evidencia ainda as possibilidades de inserção de brasileiros em um ambiente de pesquisa internacional. De acordo com Bruno, o BSC busca anualmente estudantes para programas de estágio. Há também possibilidades de colaboração em projetos acadêmicos, inclusive para alunos interessados em utilizar dados ou ferramentas do centro em seus trabalhos de graduação. 

Manuel ressalta que o centro passou por um processo significativo de expansão nos últimos anos. Segundo ele, o quadro de trabalhadores dobrou em quatro anos. A diversidade também faz parte da rotina: profissionais de países como Argentina, Peru, Estados Unidos, Canadá, Portugal, Tunísia, Grécia, França e Itália integram o ambiente de pesquisa. 

“O centro contrata muitos engenheiros e cientistas da computação para os seus quatro departamentos”, afirma. O BSC também mantém programas de estágio voltados à formação de estudantes interessados em adquirir experiência com supercomputadores. 

Para Erick, a possibilidade de trabalhar em um ambiente internacional e multidisciplinar permite o contato com projetos e tecnologias ainda pouco disponíveis no Brasil. Além da dimensão profissional, ele destaca a experiência de conviver com diferentes culturas e formas de pensar. 

“Esse contato intercultural abre portas para aprender a lidar com situações diversas e favorece o crescimento profissional”, afirma. 

Na avaliação de Bruno, a presença dos três mackenzistas em uma mesma equipe também pode estimular novos caminhos de internacionalização para estudantes da instituição. Ele acredita que a experiência pode incentivar alunos da FCI e de outros cursos relacionados à Computação e Sistemas de Informação a buscar oportunidades no exterior. 

Além dos estágios e das oportunidades profissionais, os pesquisadores apontam a possibilidade de parcerias acadêmicas, inclusive com projetos que envolvam o uso remoto de ferramentas e da infraestrutura computacional do BSC.