O colesterol elevado é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e pode permanecer silencioso durante anos, sem provocar sintomas. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de quatro em cada dez adultos brasileiros apresentam colesterol elevado. A alteração também pode atingir crianças e adolescentes: dados reunidos pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde apontam que mais de um quarto das crianças brasileiras já apresenta níveis elevados de colesterol.
O chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), Dr. Paulo Negreiros, destaca que o colesterol não deve ser encarado como uma doença que apresenta sinais evidentes, o problema está justamente na possibilidade de evolução silenciosa. “O colesterol elevado, principalmente o LDL, não costuma provocar sintomas. A pessoa pode se sentir perfeitamente saudável enquanto o processo de formação de placas de gordura nas artérias está acontecendo. Por isso, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames são fundamentais para identificar alterações precocemente e reduzir o risco de complicações”, explica o especialista.
Problema está no excesso de LDL
O colesterol é uma substância necessária para o funcionamento do organismo. Ele participa da estrutura das células e da produção de hormônios, vitamina D e ácidos biliares. O problema acontece quando determinadas partículas de gordura estão presentes em níveis elevados no sangue, especialmente o LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”. Quando o LDL está elevado, ele pode se depositar nas paredes das artérias e contribuir para a formação de placas de gordura, processo chamado de aterosclerose. Com o passar do tempo, essas placas podem estreitar ou obstruir os vasos sanguíneos, comprometendo a circulação.
“É importante entender que o colesterol alto não é apenas um resultado alterado em um exame de sangue. Quando não controlado, ele contribui para um processo que pode comprometer as artérias de diferentes regiões do organismo. Dependendo do local afetado, as consequências podem ser um infarto, um AVC ou outras manifestações da doença arterial”, alerta Dr. Paulo.
Infarto e AVC estão entre as principais complicações
Entre os problemas de saúde associados ao colesterol elevado estão a doença arterial coronariana, o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC). A aterosclerose também pode provocar doença arterial periférica e outras complicações cardiovasculares.
Os números ajudam a dimensionar o impacto do problema. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, responsáveis por aproximadamente 19,8 milhões de mortes em 2022, o equivalente a cerca de 32% de todos os óbitos globais. Desse total, 85% foram provocados por infartos e acidentes vasculares cerebrais.
No Brasil, as doenças cardiovasculares também estão entre as principais causas de mortalidade. Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, são estimadas aproximadamente 400 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano no país, o equivalente a cerca de 30% do total de óbitos anuais.
“O colesterol é apenas um dos fatores de risco cardiovascular e precisa ser avaliado em conjunto com outras condições, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar. Quanto maior a combinação desses fatores, maior pode ser o risco de um evento cardiovascular”, explica o especialista do HUEM.
Prevenção começa antes dos sintomas
Como o colesterol alto geralmente não provoca sintomas, o diagnóstico depende de avaliação médica e exames laboratoriais. O chamado perfil lipídico permite verificar os níveis de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Segundo Dr. Paulo, a prevenção deve fazer parte da rotina, e não acontecer apenas depois do surgimento de um problema cardiovascular. “Não devemos esperar um infarto ou um AVC para descobrir que o colesterol estava elevado. A prevenção começa com consultas regulares, avaliação dos fatores de risco e, quando necessário, tratamento. Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, abandono do cigarro e acompanhamento médico são medidas importantes para reduzir o risco cardiovascular”, orienta.
O tratamento, quando indicado, deve ser individualizado. Dependendo do nível de colesterol e do risco cardiovascular do paciente, além das mudanças no estilo de vida, o médico pode prescrever medicamentos para reduzir o LDL e, consequentemente, o risco de eventos cardiovasculares.
“O mais importante é que cada pessoa conheça o seu risco cardiovascular e não faça a interpretação do exame de colesterol de maneira isolada. Os valores considerados adequados podem variar de acordo com o perfil e o risco de cada paciente. Por isso, a avaliação médica é indispensável”, finaliza o médico.




