No dia 03 de outubro, durante o período da manhã e da noie, o prédio Reverendo Wilson, campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), recebeu o evento São Paulo para Todos. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a disciplina Políticas Públicas de Direitos Humanos, do sétimo semestre do curso de Jornalismo, e o Migrajor (Centro de Referência em Jornalismo, Refúgio e Interculturalidade). A programação promoveu um espaço de diálogo sobre a história, a arte e a cultura afegãs, além de abordar as experiências de mulheres refugiadas e suas trajetórias até a chegada a São Paulo.
Durante a abertura, a coordenadora e professora do curso de Jornalismo, Patrícia Paixão, explicou que o evento tem como objetivo conhecer as histórias de imigrantes e refugiados que escolheram São Paulo como moradia, além de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na disciplina de Políticas Públicas de Direitos Humanos. “Os alunos podem colocar em prática princípios elementares da disciplina, como a alteridade na cobertura jornalística, para que ela não seja estereotipada, mas apresente uma visão mais complexa dessas histórias”, afirmou.
Um dos destaques do encontro foi a palestra da refugiada Frozan Sediq, que compartilhou experiências de sua vida no Afeganistão e destacou a importância da arte e da cultura em sua formação pessoal. Desde jovem, demonstrava interesse por diferentes manifestações artísticas, especialmente por atividades tradicionalmente associadas ao universo masculino, como a escultura e o trabalho artesanal em madeira.
Durante sua apresentação, Shogofa também relatou os desafios enfrentados diante do avanço do regime do Talibã e das restrições impostas à população afegã, especialmente às mulheres e meninas. Segundo seu relato, o cenário político e social do país transformou profundamente sua rotina, suas possibilidades de expressão artística e sua relação com a própria cultura, contribuindo para seu afastamento do Afeganistão.
Em meio às proibições, a arte também se tornou uma forma de se manifestar. A palestrante contou que passou a ensinar atividades artísticas clandestinamente para meninas. “Abri uma escola secreta para poder ensinar a minha arte, depois que minha loja foi fechada pelo regime”. A ação representava não apenas uma maneira de preservar a expressão cultural, mas também de garantir que outras jovens tivessem acesso à criatividade, à educação e à liberdade de expressão.
Além das palestras, o evento contou com uma abertura marcada por um bate-papo entre o público e representantes da comunidade afegã. A programação da manhã teve a participação de Frozan Sediqi, artista que desenvolve trabalhos em madeira, de Shabir Ahmad Niazi, presidente da ONG ARRO, e de Bibi Naz Popal. Já no período da noite, participaram Ana Paula Pinhati Oliveira, vice-presidente da organização, Shogofa Farahmand e Nina Kawusi, que compartilharam suas experiências e perspectivas sobre a cultura afegã. Além disso, no terceiro andar do prédio, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer mais de perto a arte e a cultura afegãs. No espaço, os representantes da comunidade apresentaram trabalhos artísticos e compartilharam aspectos de suas tradições, promovendo o intercâmbio cultural e incentivando a internacionalização dentro da universidade.
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