O Instituto Mackenzie de Pesquisa em Grafeno e Nanotecnologias (MackGraphe), do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), na última semana deu início ao projeto Materiais Poliméricos Ecologicamente Sustentáveis (MackPolEco), que conta com a coordenação do pesquisador Guilhermino Fechine, também professor da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). O objetivo é criar plataformas tecnológicas capazes de reduzir o impacto ambiental dos resíduos plásticos.
Financiado pela FINEP com valor nominal de R$ 14,8 milhões, o MackPolEco é o projeto do MackGraphe com o maior valor já alcançado no financiamento e contará com pesquisadores de outras seis instituições de ensino: Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Piauí. (UFPI), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).
De acordo com Fechine, o projeto buscará cumprir seu objetivo, atuando em duas estratégias: pelo desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias de reciclagem, incluindo reciclagem mecânica, química e desvulcanização de borrachas; pelo aumento da demanda e da aplicação de polímeros biodegradáveis e de materiais provenientes de fontes renováveis. “Dessa forma, o projeto busca fortalecer a economia circular, a bioeconomia e a transição ecológica, contribuindo para reduzir a dependência de polímeros derivados do petróleo e valorizar resíduos plásticos”, explica.
Os plásticos sintéticos causam sérios impactos ambientais, resultando em poluição que sufoca a fauna marinha, danifica o solo e envenena as águas subterrâneas, além de provocar sérios problemas de saúde. Segundo dados levantados pelos autores do projeto, são produzidas cerca de 400 milhões de toneladas ao redor do mundo, e mais de 350 milhões de toneladas de plástico se tornam “resíduos plásticos”. Além disso, a OCDE (Organisation for Economic Co-operation and Development) revelou que cerca de 49% dos “resíduos plásticos” (designação mais usada para resíduos poliméricos, pois os plásticos são a maioria) acabam em aterros sanitários, enquanto 22% são mal administrados ou descartados no ambiente, e 19% são incinerados; ou seja, apenas 9% do plástico mundial é reciclado.
Com execução prevista para 36 meses, as estratégias desenvolvidas ao longo da execução do projeto deverão mitigar o impacto de resíduos sólidos plásticos no meio ambiente, por meio de ações em tecnologias de reciclagem, e o aumento da demanda de mercado dos polímeros ecologicamente amigáveis (PEA’s), incluindo os materiais biodegradáveis.
Guilhermino Fechine explica que um dos caminhos do MackPolEco será combinar as necessidades sustentáveis da atualidade com nanomateriais. “Os materiais serão desenvolvidos por meio da combinação de polímeros biodegradáveis e/ou de fontes renováveis, com nanomateriais, incluindo grafeno, óxido de grafeno, nanocelulose, nanossílica e também fibras naturais. Serão estudadas estratégias de síntese, funcionalização e dispersão dessas nanopartículas e fibras em matrizes poliméricas, utilizando técnicas modernas de processamento”, destaca.
Ele também aponta que a pesquisa levará em conta todo o processo de reutilização, inclusive para garantir menor toxicidade dos materiais poliméricos. “O projeto contempla o desenvolvimento de hidrogéis, filmes, revestimentos e adesivos sustentáveis, bem como a avaliação da biodegradação, da toxicidade e da ecotoxicidade dos materiais desenvolvidos, garantindo o desempenho técnico e a segurança ambiental”, conta.
Para o diretor do MackGraphe, Benedito Aguiar, a pesquisa é extremamente estratégica, pois aborda um tema de grande relevância para o país, a transição ecológica, que visa o melhor aproveitamento dos recursos naturais e o correto manuseio dos resíduos sólidos plásticos, fortalecendo a competitividade sustentável dos setores econômicos ligados à bioeconomia e à economia circular.
“O projeto contribuirá, de forma significativa para a ampliação do escopo de atuação do MackGraphe, para soluções ecologicamente sustentáveis aplicadas à indústria e a outras demandas intrinsecamente ligadas a impactos ambientais, a exemplo de ações voltadas a lixões urbanos”, aponta.
As iniciativas do projeto deverão ainda atrair novos investimentos sustentáveis de empresas comprometidas com critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), cuja implantação torna-se cada vez mais imperativa por parte das empresas em virtude de exigências regulatórias alinhadas às diretrizes globais da denominada economia verde como necessidade urgente de preservação ambiental.
A gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do MackGraphe, Camila Marchetti Maroneze, ressalta o papel estratégico do MackPolEco. “Ele envolve o estudo de materiais poliméricos que estão muito difundidos no nosso dia a dia, e que, por um lado, são motivo de ajudar nossa vida a ficar um pouco mais fácil, mas por outro lado, gera muito resíduo e poluição. Temos o intuito de buscar soluções e alternativas usando materiais que sejam ecologicamente mais sustentáveis”, finaliza.




