
07.10.2026
Olhar fixamente para a tela por horas seguidas sem perceber o tempo passar virou uma cena comum no trabalho. Para muitos, manter o foco ininterrupto em projetos, relatórios ou e-mails parece a única forma de dar conta de uma rotina de alta demanda. No entanto, o que parece dedicação total na verdade pode ser uma grande armadilha para o nosso cérebro, reduzindo a clareza do raciocínio e gerando um cansaço silencioso ao fim do dia.
Segundo a professora do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Darcy Hanashiro, a atenção humana não é um recurso infinito e sofre desgaste natural ao longo do tempo. Após períodos contínuos de esforço mental, a produtividade despenca e a probabilidade de falhas aumenta. “Parar por apenas cinco minutos não é perda de tempo, mas um investimento direto na inteligência operacional. As micropausas funcionam como um reinício do processador mental, permitindo restaurar a capacidade cognitiva sem interromper o fluxo de tarefas complexas”, explica a docente.
E como implementar micropausas em um dia a dia corrido sem perder o ritmo das entregas?
A especialista aponta que a chave está na intencionalidade de posicionar esses respiros na transição entre blocos de atividades. A longo prazo, essa prática atua como uma barreira protetora fundamental contra o esgotamento profissional e o burnout. Ao quebrar o ciclo contínuo de estresse do organismo, o cérebro ganha espaço para a autorregulação emocional e o distanciamento estratégico das demandas cotidianas. Esse breve desligamento estimula as redes neurais e frequentemente desbloqueia a criatividade para resolver problemas que pareciam travados.
Quais atividades são mais indicadas para esses 5 minutos?
A boa notícia é que atitudes muito simples nesses pequenos intervalos geram uma renovação imediata. A professora Darcy Hanashiro recomenda afastar os olhos das telas, fazer alongamentos leves ou praticar exercícios simples de respiração consciente para restabelecer a energia do corpo e da mente. Além disso, a atuação das lideranças é decisiva ao liderar pelo exemplo e desmistificar a ideia de que o trabalho sem interrupções é o único indicador de eficiência. Afinal, criar uma cultura que respeita as pausas é o caminho para termos um ambiente cada vez mais saudável, humano e de alta performance.



