Pesquisa e Inovação

Mackenzie lança plataforma que busca intérpretes forenses para atuar em processos judiciais

Aplicativo faz ponte entre tribunais e intérpretes de diversos idiomas, em uma iniciativa que democratiza o acesso à justiça 

29.10.202609h37 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Mackenzie lança plataforma que busca intérpretes forenses para atuar em processos judiciais

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em parceria com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), lançou o aplicativo Interprêt, uma plataforma inovadora que facilita a localização e a seleção de intérpretes forenses para atuar em processos judiciais eletrônicos. O evento de divulgação do aplicativo foi realizado no auditório João Calvino, campus Higienópolis da UPM, nesta terça-feira, 27 de outubro.  
  
A nova plataforma representa um avanço na integração entre tecnologia, comunicação e acesso à justiça, em busca de contribuir para o trabalho dos profissionais e para a comunicação dos procedimentos judiciais que envolvem diferentes idiomas. O projeto marca um importante passo no fortalecimento da eficiência e na acessibilidade da justiça.  
  
Fruto do trabalho de uma equipe multidisciplinar composta por magistrados, pesquisadores e estudantes da Faculdade de Direito (FDir) e da Faculdade de Computação e Informática (FCI) da UPM, além do apoio do MackPesquisa, a ferramenta visa garantir assistência linguística qualificada em audiências e atos processuais. O aplicativo busca assegurar o pleno acesso à Justiça para pessoas com deficiência auditiva, estrangeiros e indígenas que dependem de intérpretes para participar dos processos judiciais. 
  
Um dos líderes do projeto, o professor do Mackenzie e juiz Paulo Cezar Neves Junior, explicou que a funcionalidade permite a interação entre juízes e sociedade, ao promover a inclusão de não-falantes da língua portuguesa. “Para resolver problemas jurídicos, a comunicação é essencial. O acesso à justiça só é garantido quando essa comunicação é eficaz. O aplicativo foi pensado a partir de uma dificuldade real que existe no mundo inteiro de localizar bons intérpretes e o objetivo é garantir o acesso real à justiça”, destacou.  
  
O Interprêt permite localizar profissionais forenses que são necessários para audiências que necessitam da intermediação linguística. No total, a plataforma conta com intérpretes de mais de 400 idiomas cadastrados, incluindo diversas línguas indígenas e linguagem de sinais. Também reúne informações sobre qualificações e certificações dos intérpretes (como formação acadêmica em interpretação forense, experiência em audiências anteriores, título de intérprete público etc.), e possibilita que profissionais compatíveis sejam automaticamente notificados sobre novas demandas. 
  
O professor Paulo Junior ressalta que o próximo passo do projeto é ampliar as parcerias e apresentar a funcionalidade para outras instituições de ensino, tribunais e levar para outros países. Ele também destaca a importância da presença humana no projeto. “Uma Inteligência Artificial não é capaz de transmitir as sensações, hesitações e emoções, de uma testemunha, por exemplo. Apenas o intérprete bem treinado poderá transmitir completamente para o processo, para que seja plenamente compreendida a mensagem para que todos sejam capazes de entender tudo que está se passando na audiência”, afirmou. 

O reitor da UPM, Marco Tullio de Castro Vasconcelos, celebrou o lançamento da plataforma, ressaltando o impacto social do projeto para a justiça brasileira. “É uma responsabilidade social que o Mackenzie tem, um dever com a sociedade brasileira e somos uma instituição que pensa no outro. Quero parabenizar todos os que participaram do projeto, que vai beneficiar tantas pessoas. A expectativa é tornar a justiça no Brasil mais célere e que funcione sem vieses, pois vamos conseguir mitigar as interpretações incorretas”, disse.  
  
O desembargador do TRF3, André Custódio Nekatschalow, classificou o lançamento como uma revolução na sociedade. “Porque emula a realidade que nós já encontramos nas relações entre as pessoas, que é o uso de uma plataforma para estabelecer um determinado tipo de conexão. A ideia é facilitar o acesso, facilitar a possibilidade de que a força de trabalho seja disponibilizada de uma forma mais rápida, mais simples, mais célere, e tornar o processo eficiente”, destacou. 
  
Já o chanceler interino do Mackenzie, reverendo Gildásio Reis, ressaltou a consonância do Intrpêt com a identidade confessional mackenzista. “Nós valorizamos a inclusão. É antigo na Escritura a ideia de que não podemos deixar ninguém de fora. Com essa plataforma, dizemos que queremos valorizar todos aqueles que necessitam, de alguma forma, ter acesso às leis”, apontou. 
  
O presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), José Paulo Fernandes Júnior, participou do lançamento. Também estiveram presentes no evento: a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UPM, Maria Cristina Trigueiro Veloz Teixeira; o secretário de Controle Acadêmico da UPM, Luiz Guilherme Dellore; e a chefe de gabinete da reitoria (e uma das pesquisadoras do Interprêt), Andrea Boari Caraciola.