O período entre os meses de agosto e outubro é marcado pela forte temporada de incêndios florestais no Brasil, o fenômeno ocorre devido à estação seca e ao aumento dos focos de calor. Agora, com a chegada do El Niño, a preocupação com as queimadas aumenta. Com esse problema em mente, os alunos da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM): Yuri Scholler, Engenharia Civil; Vinicius Laranjeira e Gabriel Nichols, Engenharia de Produção - desenvolveram um sistema de drones e Inteligência Artificial (IA) para a identificação precoce de pontos de ignição.
Yuri Scholler explicou que a ideia surgiu da compreensão de que, em incêndios florestais, o tempo entre o surgimento de um pequeno foco e sua identificação pode ser determinante para o tamanho do dano. “Um incêndio que ainda representa um foco relativamente pequeno pode se tornar muito mais difícil de controlar depois de alguns minutos ou horas, dependendo das condições ambientais, do vento, da vegetação e do local”, destacou.
O projeto foi desenvolvido em parceria com duas empresas, a Upview Brasil, responsável pelo desenho dos drones, e a Hectra, fabricante do sistema de IA que identifica os pequenos focos de incêndio. Ambas são especializadas em tecnologia e auxiliaram no aperfeiçoamento da ideia.
Como funciona?
Os drones operam a partir de um sistema integrado que os capacita a realizar missões e rotas automatizadas junto a um modelo de IA que analisa as imagens captadas para identificar padrões relacionados com fumaça ou fogo.
O modelo executa um monitoramento aéreo prévio em uma área já definida, e utiliza os dados captados para gerar imagens que serão processadas pela IA. Após analisar o conteúdo visual, se o drone encontrar alguma ocorrência suspeita, uma verificação é feita para cessar o possível foco.
Yuri evidenciou que o protótipo está funcionando em ambientes de teste que possuem como principal objetivo aprimorar a sua evolução a partir de pequenos ajustes, como: o aumento da precisão do modelo; a redução de falsos positivos; uma melhor integração com o ambiente da missão; e aprimorar o encaminhamento de alertas mais automático.
Para que o drone esteja pronto para o mercado, é essencial que o sistema consiga realizar um ciclo contínuo de monitoramento, identificação, localização e alerta, a fim de que o tempo entre o início de um possível foco e a sua percepção pelos responsáveis seja o mínimo. Ele também completou que a mesma arquitetura utilizada nos protótipos pode ter aplicações além dos incêndios, como em situações que envolvem o monitoramento aéreo contínuo, desde inspeções ambientais a áreas de difícil acesso.
Além disso, Scholler ressaltou que o ambiente acadêmico teve um papel essencial na formação técnica de todos os envolvidos, já que o projeto reuniu conhecimentos de diferentes áreas da Engenharia, como: IA, análise de dados, tecnologia de drones, integração de sistemas e desenvolvimento de negócios. Ainda destacou que mesmo que o projeto tenha nascido da atuação conjunta entre as empresas Upview e Hectra, o conhecimento construído dentro da UPM auxiliou na formação da base técnica e analítica necessária para transformar a ideia em um protótipo. “Essa interdisciplinaridade foi fundamental”, contou.
Próximos passos
A curto prazo, o objetivo é continuar aprimorando o projeto e validando o sistema de forma técnica. Já após a conclusão do modelo, a meta é estabelecer parcerias com universidades, pesquisadores, órgãos públicos, Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, com a finalidade que essas instituições possam contribuir com os seus conhecimentos técnicos. “Também enxergamos potencial de colaboração internacional, especialmente porque os incêndios florestais são um problema compartilhado por diversos países”, complementou Scholler.
Caso os testes do drone confirmem a eficiência da solução, os desenvolvedores estão abertos à possibilidade de transformá-los em um produto capaz de operar de maneira contínua em áreas de risco.
O projeto contou com a contribuição de: Yuri Scholler, Vinicius Laranjeira e Gabriel Nichols, alunos da UPM; Marcelo Henrique Alvarenga e Thiago Griesi, da Upview Brasil.
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