Palavra do chanceler

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Elemento decorativo

“No futuro, todos terão seus quinze minutos de fama.”

Andy Warhol, cineasta e pintor estadunidense

Robinson Grangeiro Monteiro

Robinson Grangeiro Monteiro, chanceler do Mackenzie.

Foto: NTAI/Mackenzie

Nem Warhol, nem ninguém poderia imaginar quão verdadeira seria essa profecia, mas o fato é que fama de quinze minutos tem se perpetuado por muito mais tempo do que, em alguns casos, seria saudável suportar nesses tempos de superexposição (e superchateação).

A chamada cultura da “celebridade instantânea” tem sido uma tendência cada vez mais avassaladora, na medida em que os dispositivos tecnológicos conectados à internet e um afã insaciável de seus usuários para gravar e postar nas redes sociais têm sido variáveis convergentes para esse fenômeno social contemporâneo.

Alguém já definiu o nonsensedessa celebrização, afirmando que uma celebridade, cada vez mais, é alguém que se torna famoso, mesmo não tendo feito nada célebre. Que digam os participantes de reality shows e os inventores de dancinhas ou bordões em redes sociais.

O fato, porém, é que essas subcelebridades, como alguns críticos costumam chamar, estão ganhando muito dinheiro, ditando costumes sociais, quebrando paradigmas e arregimentando milhões de seguidores e fãs. A regra prevalente é a da metereorização, ou seja, uma fama intensa e rápida.

Já reputações e influências mais duradouras costumam ser construídas paulatinamente e com um investimento constante de reforço da marca pessoal ou institucional, preservando e inovando ao mesmo tempo aquilo que vai se tornando cada vez mais célebre com o passar dos anos.

Por isso, é imprescindível entender motivos subjacentes à formação de uma reputação, assim como os processos de corrosão silenciosa da imagem. No primeiro aspecto, uma reputação é criada com base na interação e na comunicação com outros: interação com os formadores da reputação, por meio de contatos pessoais em momentos de diferenciação, nos quais alguém ou algo salienta suas virtudes ou seus feitos célebres em relação aos demais.

Assim, a hora da verdade é sempre vivenciada aos olhos de um público que, em níveis diferentes, pode atestar: “Meninos, eu vi”, expressão imortalizada pelo impagável e saudoso ator Luis Gustavo, personificando Juca Pirama e ecoando o poema de Gonçalves Dias:

“Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: ‘Meninos, eu vi!’”

Por outro lado, poucos atentam ao fato de que os pés do ídolo são de barro até que ele desmorone por completo, flagrado por paparazzi de plantão. No entanto, as fissuras na imagem começam a se abrir quando, por semelhante processo, no momento da verdade, o investimento na manutenção da imagem é subestimado. Aí, o preço a se pagar é alto, porque “o print é eterno”, como se diz hoje.

Curioso é que o próprio Jesus Cristo aferiu dos discípulos qual seria a imagem que se tinha dele. Justamente ele que nunca entrou em concurso de popularidade, mas ainda hoje continua a celebridade por excelência, tal é o impacto perene de sua pessoa mesmo depois de dois mil anos. Em determinado dia, perguntou: “Quem dizem que eu sou?”.

A motivação de Jesus não era com aquilo que um dos mais respeitados críticos de arte do mundo, Robert Hughes, diagnosticou: “Warhol compreendeu que o momento cultural de meados dos anos 1960 era um vácuo ambulante” (A ascensão de Andy Warhol, 1982). Obviamente, quanto maior for o vácuo, mais anônimos se candidatam a preenchê-lo em nome da celebrização instantânea, mesmo que o vácuo se torne um buraco negro de angústia após os poucos instantes de fama.Consciente plenamente de que era o próprio Filho de Deus, o Nazareno rebateu falsas ideias e imagens sobre Ele, trazidas do povo pelos discípulos, e chancelou a afirmativa petrina que o singularizou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo!”. Assim, com um único voto no paredão de pedra em Cesareia de Filipe, Ele conquistou milhões de seguidores fiéis, porque sua fama correspondia ao seu caráter e a disposição de morrer pelos outros demonstrou que célebre é aquele que se importa — e ama! — com o próximo mais do que a si mesmo.

Movidos pelo narcisismo extremo, não seria isso que falta às celebridades atuais: uma fama permanentemente arraigada em um caráter bem formado e uma disposição incessante de servir mais do que de ser servido?

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