
Estudante do Mackenzie vence hackathon do MIT com filme que une programação e narrativa
04 de maio de 2026 | Tecnologia ----- Notícias Destaque
A estudante Catarina Silva e Meirelles, do 3º semestre de Ciência da Computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conquistou reconhecimento internacional ao vencer a categoria Melhor Filme Interativo no Global AI Film Hackathon, promovido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Seu projeto, intitulado LAPLACE.TRANSFORM, se destaca por unir programação, narrativa imersiva e conceitos matemáticos em uma experiência interativa que transforma emoções humanas em linguagem matemática.
A ideia do projeto surgiu de uma reflexão pessoal da estudante sobre sua forma de lidar com sentimentos. Segundo Catarina, sua vivência na área de exatas a levava a tentar “equacionar” emoções como forma de controle. “Em um momento de introspecção, percebi que estava descrevendo situações humanas complexas como se fossem fórmulas matemáticas”, explica. Ao se deparar com o tema do hackathon, Open Your Eyes, encontrou em uma ferramenta matemática a metáfora ideal para traduzir essa visão.
A base conceitual do projeto está na Transformada de Laplace, ferramenta matemática que permite converter sinais do domínio do tempo para o da frequência. No contexto da obra, essa transição simboliza a tentativa da personagem de organizar o caos emocional em estruturas lógicas. “A personagem tenta se refugiar nesse universo matemático para fugir do caos, mas descobre que nenhuma fórmula é capaz de conter a imensidão do coração humano”, afirma Catarina.
A proposta também se ancora no conceito de “poesia matemática”, defendido por Catarina como uma forma de expressão artística por meio do código. A narrativa se desenvolve em camadas dimensionais, partindo de um ponto (1D), evoluindo para o plano (2D), alcançando o espaço tridimensional (3D) e culminando em uma experiência 4D, onde o tempo se integra à jornada psicológica da personagem.
Outro diferencial do projeto é o uso da inteligência artificial não apenas como ferramenta criativa, mas também como suporte lógico. A estudante utilizou IA para mapear emoções humanas em variáveis matemáticas, criando uma experiência que se aproxima de um “teste de personalidade” interativo. Para ela, isso também ajuda a desconstruir visões equivocadas sobre a tecnologia. “Existe um medo de que a IA torne a arte fria, mas eu quis provar o contrário: a tecnologia é apenas um pincel. O artista é quem dá significado”, destaca a estudante.
Durante o hackathon, o projeto alcançou grande repercussão, gerando um volume de acessos que ultrapassou a capacidade inicial da infraestrutura. Para manter a estabilidade e garantir uma experiência fluida, Catarina realizou uma migração em tempo real para a plataforma Google Cloud, assegurando baixa latência e continuidade narrativa.
A experiência prévia da estudante também foi decisiva. A participação na Semana WTT no Mackenzie contribuiu para a escolha de uma arquitetura baseada na web, apoiada em tecnologias como React e Vue, garantindo maior acessibilidade ao público global.
Catarina já planeja expandir o universo do LAPLACE.TRANSFORM. Entre as ideias futuras estão narrativas que exploram novas dimensões emocionais, como negação e fuga da realidade. Com diversos projetos em desenvolvimento, a estudante pretende continuar explorando os limites entre computação, inteligência artificial e arte, consolidando uma ponte cada vez mais sólida entre tecnologia e experiência humana. “Vejo esse projeto como a semente de algo maior”, concluiu.
Confira o projeto: https://laplacetransform.vercel.app/
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