
O equilíbrio entre música, cérebro e trabalho
10 de marzo de 2026 |
Para muitos de nós, colocar os fones de ouvido é o primeiro passo antes de começar uma tarefa, seja para estudar, limpar a casa, dirigir, o que for. Já para outros, o silêncio absoluto é o único caminho para a produtividade. Essa dualidade não é por acaso. Segundo o professor de Psicologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Marcelo Santos, a forma como reagimos à música no ambiente de trabalho está ligada à nossa "arquitetura biológica".
Enquanto pessoas extrovertidas podem usar o som como um combustível contra o tédio, as mais introvertidas costumam ter um nível de alerta interno naturalmente alto. "Para essas pessoas, qualquer som extra pode causar uma sobrecarga sensorial, fazendo com que o cérebro opere em capacidade máxima apenas para processar os estímulos", explica o professor. O objetivo é encontrar o "ponto ideal" de estímulo para que cada um funcione bem.
Nos dias corridos, quando o estresse bate à porta, a música atua como uma verdadeira ferramenta de regulação emocional. Marcelo ressalta que ritmos lentos e constantes têm o poder biológico de sincronizar nossos batimentos cardíacos, ajudando o cérebro a sair de um estado de agitação e entrar em um estado de calma. Além disso, o simples ato de escolher uma playlist favorita traz uma sensação de "micro-controle" sobre a rotina. "Quando ouvimos melodias familiares, há uma liberação de dopamina, que traz prazer e ajuda a interromper ciclos de pensamentos negativos", afirma o docente. Essa âncora comportamental ajuda o cérebro a entender que é hora de focar, reduzindo inclusive a procrastinação.
No entanto, é preciso estar atento ao volume. O professor alerta que o som alto demais é interpretado pelo cérebro como um sinal de perigo, tornando-se um "invasor sensorial" que consome energia mental preciosa. O volume ideal é aquele que funciona como um filtro: presente o suficiente para estimular e baixo o bastante para não competir com o raciocínio. Essa sensibilidade também varia com a idade. Profissionais mais experientes podem sentir um declínio natural na capacidade de filtrar o que não é importante, enquanto jovens tendem a usar a música como um acelerador de raciocínio. "O esforço de ignorar o som consome uma fatia da energia mental", pontua o especialista, reforçando que o equilíbrio é a chave para não estagnar a criatividade.
Em resumo, não existe uma regra única ou uma playlist universal para o sucesso. O que vale é o autoconhecimento. O importante é que a música seja um suporte para o seu bem-estar. Como destaca o professor Marcelo, o som deve ser um facilitador que nos permite focar no presente e diminuir o medo do futuro. Afinal, trabalhar em harmonia com o próprio ritmo é o que transforma o ambiente de trabalho em um lugar mais leve e produtivo para todos.
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