
O custo oculto da multitarefa
29 de septiembre de 2026 | Cá, entre nós Destaque
Responder a e-mails durante uma reunião enquanto espia as notificações do celular tornou-se uma cena comum na rotina de trabalho. Para muitos colaboradores, essa habilidade de equilibrar vários pratos ao mesmo tempo parece o sinônimo perfeito de alta produtividade. No entanto, o que parece eficiência na verdade pode ser uma grande armadilha para o nosso cérebro, reduzindo a qualidade das entregas e gerando um cansaço silencioso ao fim do dia.
Segundo a professora de Administração da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Jamille Cavalcanti, o cérebro humano não foi projetado para processar tarefas complexas de forma simultânea, mas sim para alternar rapidamente entre elas. Cada troca de tela ou de assunto nos dá uma falsa sensação de dever cumprido, disparando pequenas doses de dopamina que alimentam o vício pela multitarefa. “A impressão de estarmos produzindo mais é uma ilusão psicológica. Na prática, esse vai e vem constante entre atividades consome uma quantidade enorme de energia mental”.
E como diferenciar as situações em que a multitarefa é só um hábito ruim daqueles momentos em que ela é inevitável no dia a dia?
A docente explica que a chave está no tipo de demanda que temos em mãos. Em momentos de urgência pontual ou em tarefas operacionais automatizadas, é natural precisar responder com rapidez em mais de uma frente. O perigo surge ao transformar o estado de alerta constante no modo padrão da rotina, sufocando atividades analíticas, estratégicas ou criativas que exigem imersão total. É aí que a atenção plena entra como uma grande aliada: ao cultivar o hábito de estar 100% presente em uma única entrega por vez, reduzimos a fadiga cognitiva, fortalecemos a concentração e devolvemos o sentimento de maestria e autoria ao que fazemos.
Quais estratégias podemos adotar para um modelo de trabalho baseado em foco e alta qualidade?
A boa notícia é que pequenas mudanças de comportamento na nossa rotina produzem resultados imediatos. A professora Jamile recomenda começar o dia definindo as prioridades reais, silenciar as notificações durante blocos de trabalho profundo e incluir pausas curtas para reorganizar a mente entre uma demanda e outra. Ao planejar o tempo e respeitar o ritmo de cada projeto, diminuímos o estresse e elevamos o padrão das nossas entregas. Afinal, cuidar da nossa atenção é também cuidar da nossa saúde mental.
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