Dia do Advogado: o papel da advocacia na defesa da democracia

11 de August de 2026 | Faculdade Brasília Destaque

O Dia do Advogado, celebrado em 11 de agosto, marca uma data que vai muito além da homenagem a uma categoria profissional. Para a professora Juliana Daher Delfino Tesolin, da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB), a advocacia exerce uma função essencial para a Justiça, a cidadania e a própria democracia brasileira.
 
A importância dessa atuação ficou ainda mais evidente para a professora a partir de uma experiência vivenciada no exercício da profissão. Há alguns anos, ela recebeu em seu escritório um cliente que chegou com uma pasta de papéis amassados e uma frase que nunca esqueceu: “Doutora, eu não sei se tenho razão, mas sei que preciso que alguém me escute antes de me julgar.”
 
Mais do que uma petição bem redigida, aquele cliente buscava alguém que se colocasse ao seu lado antes que o Estado se pronunciasse sobre sua vida. A situação reforçou para Juliana uma compreensão que, segundo ela, acompanha a própria essência da advocacia: ser uma ponte entre o cidadão comum e a força, por vezes fria, da máquina judiciária.
 
Uma profissão indispensável à Justiça
 
Celebrado em 11 de agosto, o Dia do Advogado remonta a 1827, quando dois decretos imperiais criaram os primeiros cursos jurídicos do Brasil, em Olinda e em São Paulo. Quase dois séculos depois, a data permanece como uma oportunidade para reconhecer a importância de profissionais responsáveis por fazer com que as leis ultrapassem o texto normativo e alcancem a vida das pessoas.
 
“De nada adianta uma Constituição sem profissionais capazes de fazer as leis saírem do papel e chegarem à vida das pessoas”, destaca Juliana.
 
A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 133, que o advogado é indispensável à administração da Justiça. Para a professora, essa previsão não é apenas uma formalidade, mas uma escolha deliberada do constituinte.
 
Ao lado do juiz e do promotor, o advogado compõe, segundo Juliana, o tripé necessário para que o processo preserve sua legitimidade democrática. A legislação também assegura a inviolabilidade do profissional por atos e manifestações praticados no exercício da profissão. Essa garantia, explica, não existe por uma questão de proteção corporativa, mas para assegurar ao advogado a liberdade necessária para dizer o que for preciso na defesa de seu cliente.
 
A professora também chama atenção para a desconfiança que, fora do universo jurídico, ainda existe em relação à função do advogado, algumas vezes visto como figura dispensável ou até mesmo como obstáculo à Justiça.
 
Para Juliana, essa percepção não corresponde à realidade. Sem advogado, não há contraditório pleno. E, sem contraditório pleno, uma decisão judicial corre o risco de se transformar em um ato de autoridade, e não propriamente de Justiça.
 
Nesse contexto, ela recupera uma conhecida advertência de Rui Barbosa, na obra Oração aos Moços: “justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”. A advocacia, nesse sentido, também exerce o papel de impedir que a demora, o silêncio ou o abuso se transformem em rotina.
 
Defesa, contraditório e cidadania
 
A atuação do advogado também tem uma dimensão diretamente relacionada à cidadania. Para Juliana, advogar significa, antes de tudo, dar voz a quem, sozinho, dificilmente seria ouvido.
 
Essa função aparece em situações tão diferentes quanto uma audiência de conciliação, uma ação de guarda, um processo trabalhista ou uma disputa societária complexa. Em todas elas, cabe ao advogado traduzir o sofrimento, a expectativa ou o interesse legítimo da parte em uma linguagem que o sistema de Justiça consiga compreender.
 
Essa mediação contribui, segundo a professora, para concretizar o acesso à Justiça previsto no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não basta que o cidadão tenha o direito de procurar o Judiciário. É necessário que exista quem possa abrir essa porta com técnica e responsabilidade.
 
A função social da advocacia também se manifesta em iniciativas como a atuação pro bono, os núcleos de prática jurídica e os projetos de assistência destinados a populações vulneráveis.
 
As clínicas jurídicas universitárias são um exemplo dessa atuação. Para Juliana, quem acompanha de perto esse trabalho percebe como a presença de um advogado, ainda em formação, pode contribuir para mudar o desfecho da vida de uma mulher em situação de violência doméstica ou de uma família sob risco de despejo.
 
A cidadania, muitas vezes, só se completa quando alguém assume a causa de quem não pode se defender sozinho.
 
 Inteligência artificial muda a rotina, mas não substitui o discernimento
 
Como ocorre em outras áreas, a advocacia também passa por transformações provocadas pelas novas tecnologias e pelas mudanças na relação entre profissionais e clientes.
 
A inteligência artificial já integra rotinas de pesquisa e redação jurídica. Ao mesmo tempo, os métodos consensuais de solução de conflitos ganham espaço ao lado do processo tradicional, enquanto os clientes chegam mais informados e mais exigentes em relação a prazos e resultados.
 
Para Juliana, nenhuma dessas mudanças reduz a importância do advogado. Ao contrário, elas exigem mais preparo técnico, ética e capacidade de julgamento humano. “A advocacia do futuro será cada vez mais uma advocacia de discernimento, não apenas de petição”, afirma a professora.
 
O avanço tecnológico, portanto, também amplia a responsabilidade dos profissionais diante de decisões que não deveriam ser tomadas exclusivamente por máquinas. A capacidade de avaliar contextos, ponderar direitos e compreender as particularidades de cada caso permanece essencial à atuação jurídica.
 
Formação jurídica também precisa ensinar a escutar
 
As transformações da profissão colocam a formação jurídica no centro do debate. Para a docente mackenzista, não basta formar bacharéis capazes de decorar códigos. É necessário preparar profissionais capazes de pensar criticamente e compreender que, por trás de cada processo, existe uma pessoa.
 
Nesse contexto, as faculdades de Direito, herdeiras diretas das instituições criadas em 1827, carregam a responsabilidade de formar não apenas técnicos, mas profissionais comprometidos com a defesa de direitos. “Ensinar Direito, hoje, é também ensinar a escutar”, destaca Tesolin.
 
A formação jurídica, dessa maneira, precisa acompanhar as mudanças da profissão sem perder de vista sua dimensão humana. O domínio técnico continua indispensável, mas deve estar associado à ética, à capacidade de discernimento e à compreensão das consequências concretas de cada decisão para as pessoas envolvidas.
  
O futuro pertence a quem defende
 
A relação entre advocacia e democracia se torna ainda mais evidente quando se observa a história dos regimes autoritários. Segundo Tesolin, a advocacia livre e independente esteve entre os primeiros alvos desses regimes justamente porque a atuação sem medo dos profissionais do Direito é fundamental para a defesa de direitos e garantias. “Onde o advogado não pode atuar sem medo, a democracia já está em risco”, afirma.
 
Valorizar a advocacia, portanto, não significa apenas reconhecer uma categoria profissional. Significa reafirmar um dos pilares da própria democracia brasileira.
 
Neste 11 de agosto, a criação dos primeiros cursos jurídicos do país, em 1827, ganha um significado que permanece atual: a necessidade de transformar o direito abstrato em justiça concreta, uma pessoa de cada vez. Enquanto houver alguém precisando ser ouvido antes de ser julgado, o Brasil continuará precisando de advogados.
 

Notícias Relacionadas

Reunião Pedagógica abre 2º semestre com debate sobre avaliação na FPMB

Encontro reuniu professores e equipes de apoio para discutir práticas de avaliação, alinhar procedimentos acadêmicos e compartilhar informes…

Faculdade Brasília

Profissionais do HUEM tem participação de destaque no congresso de Pediatria

Evento reuniu diversos especialistas entre os dias 6 e 8 de agosto, na Associação Médica do Paraná

Faculdade Paraná

Quais são os desafios das carreiras na era digital?

Com a avanço da tecnologia, é necessário que o mercado se adapte ao novo mundo

Atualidades

Colégio Mackenzie SP conquista 65 medalhas na Olimpíada Brasileira de História Online

Aluna foi destaque ao conseguir conquistar a mais alta honraria da competição 

----- Notícias

Evento reúne especialistas em dados, inteligência artificial e inovação no Mackenzie

Data Connection 2026 reuniu profissionais, pesquisadores e estudantes para um dia de debates sobre o futuro da área 

Universidade

Compartilhe nas Redes Sociais
Acontece

Lançamento de livros encerra a Semana Pedagógica e dá início às comemorações dos 150 anos

| Acontece

No dia 31 de janeiro, sexta-feira, a Editora Mackenzie lançou os livros Dicionário enciclopédico de instituições protestantes no Brasil: instituições…


150 anos: o Mackenzie e sua relação com a cidade de São Paulo

| Acontece

Em 29 de janeiro, aconteceu a mesa 150 anos e as cidades de São Paulo - memória e futuro, durante a XVII Semana de Preparação Pedagógica, no Auditório…


Semana Pedagógica inicia as comemorações dos 150 anos

| Acontece

Em 27 de janeiro teve início, na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Higienópolis, a XVII Semana de Preparação Pedagógica (SPP), ação…



Calendário de Atividades

Posse do Chanceler

O reverendo Robinson Grangeiro toma posse e assume a Chancelaria do Mackenzie, em cerimônia realizada no Auditório Escola Americana, campus Higienópolis,…


Semana de Preparação Pedagógica UPM

Para dar boas-vindas aos professores no ano de 2020, a Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), por meio da reitoria, realiza a XVII Semana de…


Livro Cartas de Princípios

A Editora Mackenzie lança, no auditório Ruy Barbosa, do campus Higienópolis, o livro Cartas de Princípios: 2000-2019, organizado pela Chancelaria do…


Programa de rádio

Durante 2020, que marca os 150 anos do Mackenzie, a Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) transmitirá ao vivo, às segunda-feiras, o podcast,…


Lançamento dos livros: Dicionário Enciclopédico de Instituições Protestantes no Brasil: Instituições Educacionais

O livro "Dicionário Enciclopédico de Instituições Protestantes no Brasil: instituições educacionais", organizado por Lidice Meyer Pinto Ribeiro, Alderi…


Combates pela História Religiosa: Reforma e Protestantismo na visão de Émile Léonard

No dia 31 de janeiro, no auditório Ruy Barbosa, no campus Higienópolis do Mackenzie, acontece o lançamento da obra "Combates pela história religiosa:…


Lançamento Podcast 150 anos

O professor e jornalista Alvaro Bufarah recebe personalidas ligadas às diversas áreas do Mackenzie para um bate-papo de 30 minutos no podcast. A…


Posse do Reitor

No dia 10 de fevereiro, Marco Tullio de Castro Vasconcelos toma posse como reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), assumindo o lugar de…


Mesa de Inovação e Empreendedorismo

No dia 05 de março, a Universidade Presbiteriana Mackenzie realiza a mesa de debates "O Conhecimento Científico e Tecnológico e a Inovação: desafios e…



Projeto Reescrever

A Gerência de Responsabilidade Social e Filantropia (GERSF), por meio do Mackenzie Voluntário, realiza o Projeto Re-escrever, que tem como objetivo apoiar…


Diálogos Comunitários

Rev. Robinson Grangeiro Monteiro e Eduardo Abrunhosa


+ Calendário de Atividades