O valor de uma aprendizagem significativa em Matemática

09 de junho de 2026 | Educação & Cultura Colégios Destaque Recife

Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) reacenderam um alerta importante sobre a aprendizagem matemática no Brasil. Segundo o levantamento, mais de 70% dos estudantes brasileiros avaliados apresentaram dificuldades básicas em Matemática, ficando abaixo do nível considerado adequado para o exercício pleno da cidadania.

O dado reforça uma questão central para as escolas: como tornar o ensino de Matemática mais prazeroso, significativo e próximo da realidade dos estudantes, sem deixar de lado a preparação para vestibulares, Enem e outras avaliações externas?

No Colégio Presbiteriano Mackenzie (CPM) Agnes, esse desafio é tratado de forma integrada pela equipe multidisciplinar do Ensino Médio, envolvendo coordenação pedagógica, orientação educacional e professores da área de Matemática. A proposta é compreender que bons resultados acadêmicos não dependem apenas de treino, repetição e memorização, mas de um acompanhamento formativo que ajude o estudante a pensar matematicamente.

Para Ronaldo Queiroz, coordenador do Ensino Médio, resultado e aprendizagem crítica não devem ser vistos como caminhos opostos.

“Não podemos reduzir a Matemática à memorização de fórmulas ou à repetição mecânica de exercícios. O estudante que compreende o que faz, por que faz e em que situações pode aplicar determinado conhecimento está mais preparado para enfrentar provas, vestibulares e desafios da vida. O bom desempenho é consequência de uma aprendizagem bem estruturada”, afirma.

Segundo o coordenador, a preparação para exames precisa unir domínio técnico, interpretação, análise de dados, raciocínio lógico e argumentação. Por isso, a escola busca acompanhar não apenas as notas dos estudantes, mas também suas dificuldades, avanços, lacunas conceituais e formas de resolução.

A orientação educacional, representada por Wendell Gonzaga, também tem papel fundamental nesse processo. O acompanhamento dos estudantes permite identificar fatores emocionais, comportamentais e organizacionais que interferem diretamente na relação com a Matemática.

“Muitos alunos não têm dificuldade apenas com o conteúdo. Às vezes, eles carregam insegurança, medo de errar ou uma ideia de que não são capazes de aprender Matemática. Nosso trabalho é ajudá-los a reorganizar essa percepção, desenvolver confiança e compreender que o erro também faz parte do processo de aprendizagem”, destaca Wendell Gonzaga.

Essa visão é importante porque, para muitos estudantes, a Matemática se torna uma disciplina associada à ansiedade e à resposta certa ou errada. Quando o erro passa a ser tratado como diagnóstico, e não como fracasso, o aluno consegue compreender melhor onde está sua dificuldade e quais estratégias pode utilizar para avançar.

Na sala de aula, os professores de Matemática Bruno Henrique e Israel Veríssimo atuam diretamente nesse equilíbrio entre rigor acadêmico e aprendizagem significativa. A proposta é manter a exigência própria da disciplina, mas tornar o processo mais claro, contextualizado e participativo.

Para o professor Bruno Henrique, uma aula de Matemática mais prazerosa não significa uma aula mais fácil.

“O prazer em aprender Matemática aparece quando o estudante percebe sentido no que está estudando. Isso acontece quando ele entende o conceito, consegue relacionar o conteúdo com situações reais e percebe que há diferentes caminhos para resolver um problema. O rigor continua existindo, mas ele vem acompanhado de compreensão”, explica.

Nesse sentido, resolver questões de vestibulares e do Enem continua sendo uma estratégia importante, mas não pode ser a única. O exercício precisa ser acompanhado de leitura cuidadosa do enunciado, análise das informações, comparação de estratégias, discussão dos erros e validação dos resultados.

O professor Israel Veríssimo reforça que a Matemática deve ser apresentada como uma linguagem para interpretar o mundo.

“Quando trabalhamos com gráficos, tabelas, situações do cotidiano, tecnologias, jogos intelectuais e problemas contextualizados, o estudante percebe que a Matemática não está restrita ao livro ou à prova. Ela está presente nas decisões financeiras, na leitura de dados, na ciência, na tecnologia e na vida prática”, afirma.

Essa abordagem dialoga com as competências previstas para o Ensino Médio, que indicam a necessidade de desenvolver raciocínio, investigação, resolução de problemas, comunicação e argumentação matemática. Assim, o estudante deixa de apenas aplicar fórmulas e passa a construir estratégias, justificar respostas e avaliar a coerência dos resultados encontrados.

No trabalho conjunto da equipe multidisciplinar do COM Agnes, a Matemática é compreendida como parte da formação integral do estudante. A coordenação acompanha os resultados e direciona intervenções pedagógicas; a orientação educacional observa aspectos emocionais e de organização dos estudos; e os professores transformam essas informações em estratégias didáticas para a sala de aula.

Essa integração permite que a pressão por resultados seja transformada em oportunidade pedagógica. Em vez de mecanizar o ensino, os dados de desempenho ajudam a identificar necessidades reais, planejar retomadas, propor desafios e fortalecer a autonomia dos estudantes.

“Ensinar Matemática de forma prazerosa não significa diminuir o rigor, mas dar sentido ao que se aprende. Quando o estudante percebe propósito, recebe acompanhamento e é desafiado de forma adequada, ele passa a se envolver mais com a própria aprendizagem”, conclui Ronaldo Queiroz.

Mais do que tornar a Matemática “fácil”, o desafio é torná-la compreensível, relevante e acessível. Quando coordenação, orientação educacional e professores atuam de maneira integrada, o estudante deixa de enfrentar a disciplina sozinho e passa a ser acompanhado em seu percurso de desenvolvimento. Nesse processo, o prazer em aprender nasce da descoberta de que a Matemática tem sentido, utilidade e propósito.

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