Desinformação: um problema em escala digital

28 de abril de 2026 | Atualidades Destaque

De acordo com um levantamento realizado pela Poynter Institute, quatro em cada 10 pessoas afirmam receber informações falsas todos os dias. O avanço das plataformas digitais, que possibilitam maior alcance e disseminação desse conteúdo, é um dos principais responsáveis pela presença da desinformação no cotidiano dos brasileiros. 

Porém, o professor André Santoro, do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), explica que a desinformação sempre esteve presente na sociedade e no jornalismo, pois diversos veículos midiáticos já propagaram informações falsas, de forma deliberada ou não. “O cenário atual é mais complexo e difícil devido à popularização das ferramentas digitais, com destaque para as redes sociais e os aplicativos de mensagens, como o Whatsapp”, detalha.  

Santoro evidencia que, atualmente, o principal problema é o debate entre a liberdade de expressão e a liberdade para desinformar, um impasse encontrado cada vez mais nas redes sociais. “Isso tem relação cada vez menor com o jornalismo, pois os atores principais passaram a ser as empresas que controlam plataformas digitais como X (Twitter), Instagram, Whatsapp, entre outros”.   

O professor conta que as redes sociais ampliaram esse problema de forma drástica com a ajuda dos algoritmos por trás das plataformas digitais, que não possuem discernimento para informações de qualidade. Ele relata que os sistemas desses aplicativos tendem a alimentar o usuário com informações voltadas às suas crenças pessoais, de maneira com que a pessoa não consuma conteúdos que difiram de sua opinião. “Esse processo de multiplicação da desinformação, mediado pelas redes sociais, envenena a opinião pública de formas que podem ser catastróficas”, afirma Santoro. 

O psicólogo de formação e professor dos cursos de Administração e Direito da UPM campus Campinas, Marcelo Alves dos Santos, expressa que os jovens são mais vulneráveis à desinformação devido à imaturidade estrutural do desenvolvimento cognitivo, o que causa um impacto crítico nas fases de formação. “Afinal de contas, a desinformação pode moldar crenças distorcidas, e que podem vir a se tornar a coluna mestra de fundamentações ou visões de mundo de forma errada”. 

O docente também expressa que as informações falsas atuam como um atraso na vida de jovens que buscam o sentimento de pertencimento durante essa fase da vida, o que pode influenciar a adoção de visões extremistas, parecidas com aquelas que são pautadas à sua volta. “E tudo isso pode impactar no movimento de empatia de determinado indivíduo, que passa a viver em uma bolha informacional que limita ainda mais a possibilidade de acessos a outras informações”, completa. 

O professor Marcelo destaca que para diminuir esse problema é importante que o jovem desenvolva o pensamento crítico, para que outros pontos de vista entrem em sua bolha informacional e a desinformação não seja o único conteúdo consumido. 

Já o professor Santoro salienta que a educação midiática é um conjunto de informações que ajuda a sociedade a selecionar, filtrar e interpretar informações para que o indivíduo tenha uma relação mais saudável com os diferentes conteúdos que consome. Um exemplo citado por ele é o do Brasil, em que algumas instituições do terceiro setor têm promovido parcerias com secretarias estaduais e municipais de educação para que as escolas adotem conteúdos de educação midiática em seus currículos básicos, a partir de uma adaptação nas disciplinas já existentes. “Com isso, é possível aprender desde cedo a identificar uma informação falsa”, afirma. 

Para Santoro, o jornalismo não tem a necessidade de promover nenhuma grande mudança estrutural no cenário atual, mas sim permanecer como uma fonte de informações confiáveis. Entre os caminhos possíveis está a verificação de informações a partir das ferramentas de checagem de fatos, o chamado fact-checking. “Embora ainda tenham alcance relativamente baixo na sociedade como um todo, essas mesmas ferramentas são cada vez mais importantes em um cenário de propagação acelerada de desinformação nas plataformas digitais”, finaliza.

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