Desafios da economia brasileira nas eleições 2018

27 de setembro de 2018 | Atualidades Economia Reitoria Chancelaria Instituto Universidade Destaque

Ajustes fiscais para reduzir a dívida pública, porém com foco em justiça econômica; simplificação tributária para estimular empreendedores e melhorar o ambiente de negócios; impedir a criação de novos impostos; reduzir a carga tributária no consumo; modificar o modelo de tributação de grandes fortunas; e rever benefícios e privilégios pouco justificáveis de alguns cargos públicos.

As ações acima são pontos de concordância nas propostas dos cinco assessores econômicos dos candidatos à Presidência da República que estiveram no Fórum Perspectivas e Futuro da Economia Brasileira – uma iniciativa do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE) do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) –, em 27 de setembro, no campus Higienópolis.

Estiveram presentes os economistas Pérsio Arida (PSDB), Guilherme Mello (PT), Diogo Costa (NOVO), Marco Antonio Rocha (PSOL) e Nilson Araújo de Souza (PPL). Os demais assessores foram convidados, mas não puderam comparecer por conta de agenda prévia.

Os economistas responderam perguntas que abordavam o problema fiscal do país, sistema tributário, política monetária e inflação, e ambiente interno de negócios junto à regulação. Além disso, também citaram rapidamente algumas questões a respeito do comércio exterior. Em suma, os assessores identificaram desafios bem similares a serem superados, porém que encontrariam abordagens diferentes em cada uma das propostas.

Gestão fiscal e tamanho de Governo

De acordo com Mello, o grande desafio fiscal do país se encontra nas mudanças tributárias, vez que o crescimento da economia, por si só, não conseguirá garantir o valor necessário para que se mitigue ou reduza a dívida pública – estimada para alcançar 80% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

Costa concorda com a visão e pontua que o ajuste fiscal é necessário, desde que se leve em conta a justiça econômica, ou seja, cortando privilégios e reduzindo o Estado. “Reformas são necessárias, mas com eficiência e eficácia para o cidadão comum e não favorecendo apenas grandes empresas. É necessário reduzir não o Estado que oferece segurança, saúde e educação, mas sim o Estado movido a privilégios e déficit fiscal”, destaca.

Já Rocha acredita que há um esgotamento do modelo de desenvolvimento desde 2010 e que apenas a solução fiscal não vai gerar grandes ganhos em termos de dinamismo econômico. “Temos de fazer a revogação do teto de gastos, sem isso não há dinamismo na economia. Não podemos forçar o Estado a realizar o superávit no curto prazo, pois essa política não está funcionando”, defende.

Souza enfatiza que se deve fortalecer o mercado interno, aumentando o poder de compra das pessoas, a começar pelo salário mínimo. “É desta forma, que a economia volta a crescer e se expandir, e a relação dívida/PIB tende a diminuir, gerando mais receita”.

Para Arida, o ideal é criar um ambiente de negócios que facilite o investimento privado, fazer uma revisão nas injustiças praticadas pelo sistema de previdência e gastar menos e com mais eficiência. Além disso, completa, “temos de acabar com os monopólios. Todo monopólio é ruim para a economia”.

Sistema tributário

Todos os economistas presentes concordaram que o sistema atual parece um “manicômio tributário” no qual as empresas às vezes ficam presas numa disputa de entendimento entre entes da União e com impostos em cascatas ou com tributações contraditórias.

A solução proposta por eles foi condensar vários impostos indiretos em apenas um, simplificando a legislação. Ainda foi colocada a necessidade de se migrar para um sistema com menor tributação sobre consumo e compensar com tributação sobre renda e patrimônio, pois atualmente os mais pobres são os que mais são prejudicados. “Só Brasil e Estônia não cobram impostos sobre lucros e dividendos hoje no mundo”, pontua Mello.

Arida complementa que “é preciso preencher esses vários buracos que permitem aos ricos acumular mais renda e gastar menos. O Estado brasileiro trabalha hoje como um Robin Hood às avessas”.

Costa afirma que se deve também incentivar e aumentar a renda das pessoas, pois isso eleva o consumo e gera mais imposto para o Estado. Nesse ponto, ele defende o incentivo de renda a vários grupos. “A renda das mulheres nos últimos anos, por exemplo, foi responsável pela redução de 30% da pobreza na América latina”, diz.

Câmbio e política monetária

Nestes tópicos, os economistas divergem em alguns pontos. Mello afirma que não se deve tirar a autonomia do Banco Central para tais decisões, mas que é preciso repensar o regime de metas e se basear em outros países. “O mercado de derivativos cambiais do Brasil é muito volátil. O real não é a segunda moeda mais importante do mundo, mas é a segunda que mais sofre especulação”.

Já Arida coloca que o câmbio depende da economia e do mercado, e que não seria possível congelar essa flutuação. Para o economista, não há grandes mudanças a se fazer na política cambial atual, mas sim alterar a política de nomeação para cargos de diretora do BC, pois “falta estabilidade e planejamento”, segundo ele

Costa pontua que mexer na política monetária é como mexer no meio ambiente, você sempre gera consequências não pensadas e por isso é necessária cautela. “O importante é que temos de criar um país que seja capaz de construir. O Brasil não consegue concluir obras de infraestrutura e mesmo as de saneamento básico. Temos de consertar a nossa democracia em primeiro lugar e não se espelhar em regimes autocráticos”, completa.

Rocha comenta que reduzindo a volatilidade cambial pode-se caminhar para uma melhor indexação da moeda e que regular o câmbio é fundamental para regular a eficiência da política interna e monetária e, inclusive, controlar a inflação. “Em nossa história, já estabilizamos preços, mas nunca a moeda em si. Isso deve ser corrigido, pois tivemos sempre uma estabilidade parcial”.

Para Souza, existe a crença de que o Banco Central é autônomo, mas “são os grandes grupos financeiros internacionais que definem a política cambial, aplicando ou retirando dólares do Brasil”. De acordo com ele, a inflação ideal é a que permite a economia crescer e gerar emprego. Inflação baixa sem desenvolvimento não funciona. “Eu parto da ideia de que a inflação aqui ocorre pela insuficiência de oferta e não pela grande demanda. É preciso aumentar a oferta para controlar isso”, finaliza ele.

*Participaram do evento: Benedito Guimarães Aguiar Neto, reitor da UPM; José Inácio Ramos, presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM); Davi Charles Gomes, chanceler do Mackenzie; Vladimir Fernandes Maciel, coordenador do CMLE; Pedro Raffy Vartanian, professor do CCSA; e o jornalista Ricardo Viveiros, que realizou a mediação do evento.

Notícias Relacionadas

Estudantes da Universidade Mackenzie visitam a Bolsa de Valores

Alunos participaram de palestras sobre mercado de capitais e vivenciaram a rotina da B3  

Acontece no Mackenzie

Trajetória da Economia Liberal no Brasil

Evento do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica reúne especialistas para debate

Atualidades

Mackenzie Brasília apoia Correio Debate: Desafios da Economia em 2019

Evento é promovido pelo Correio Braziliense no Distrito Federal

Economia

Centro Mackenzie de Liberdade Econômica já tem planos para 2019

Economia brasileira e liberalismo são pautas na unidade de pesquisa

Economia

Moedas de real empilhadas sobre mesa de madeira
Ex-presidente do Banco Central no Mackenzie

Gustavo Franco palestrará durante o II Fórum de Liberdade Econômica

Economia

Participe do II Fórum Mackenzie de Liberdade Econômica

Com presenças internacionais, o Fórum acontece nos dias 5 e 6 de novembro

Economia

mão coloca voto com bandeira do Brasil em urna
Conheça o projeto Eleitoralize

Braço de grupo de estudos mackenzista visa amadurecer sistema eleitoral brasileiro

Atualidades

Compartilhe nas Redes Sociais
Acontece

Lançamento de livros encerra a Semana Pedagógica e dá início às comemorações dos 150 anos

| Acontece

No dia 31 de janeiro, sexta-feira, a Editora Mackenzie lançou os livros Dicionário enciclopédico de instituições protestantes no Brasil: instituições…


150 anos: o Mackenzie e sua relação com a cidade de São Paulo

| Acontece

Em 29 de janeiro, aconteceu a mesa 150 anos e as cidades de São Paulo - memória e futuro, durante a XVII Semana de Preparação Pedagógica, no Auditório…


Semana Pedagógica inicia as comemorações dos 150 anos

| Acontece

Em 27 de janeiro teve início, na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Higienópolis, a XVII Semana de Preparação Pedagógica (SPP), ação…



Calendário de Atividades

Events

All eventsEducaçãoFilosofiaEconomiaDireitoEngenharia e Tecnologia
Teaser
Start date
13.01.2020 - 15:47
End date
13.01.2020 - 21:12
Price
Free of charge
Teaser
Start date
27.01.2020 - 16:12
End date
31.01.2020 - 16:12
Price
Free of charge
Teaser
Start date
27.01.2020 - 16:14
End date
27.01.2020 - 17:14
Price
Free of charge
Teaser
Start date
31.01.2020 - 16:15
End date
31.01.2020 - 17:15
Price
Free of charge
Teaser
Start date
31.01.2020 - 16:15
End date
31.01.2020 - 17:15
Price
Free of charge
Teaser
Start date
31.01.2020 - 16:16
End date
31.01.2020 - 17:47
Price
Free of charge
Teaser
Start date
01.02.2020 - 16:16
End date
01.02.2020 - 17:17
Price
Free of charge
Teaser
Start date
01.02.2020 - 17:00
End date
01.02.2020 - 19:00
Price
Free of charge
Teaser
Start date
05.03.2020 - 09:00
End date
05.03.2020 - 10:00
Price
Free of charge
Teaser
Start date
25.03.2020 - 01:00
End date
28.03.2020 - 23:00
Price
Free of charge
Teaser
Start date
27.03.2020 - 10:00
End date
27.03.2020 - 11:00
Price
Free of charge
Teaser
Start date
30.03.2020 - 19:00
End date
30.03.2020 - 20:00
Price
Free of charge
+ Calendário de Atividades