Construindo um ambiente livre de bullying

23 de abril de 2026 | Cá, entre nós Destaque

Viver em harmonia exige a consciência de que o respeito é a base de qualquer relação saudável. Para mantermos uma cultura de cuidado é essencial saber diferenciar uma interação leve de uma agressão verbal. Segundo a professora de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Cristiane Silvestre, o bullying se define por um tripé fundamental: a intenção de ferir, a repetição e o desequilíbrio de poder. Enquanto na brincadeira todos se divertem, no bullying o "humor" serve apenas para humilhar e isolar o outro.

No mundo digital, esse desafio ganha contornos ainda mais delicados com o cyberbullying, que elimina o porto seguro da vítima ao tornar a agressão ininterrupta. De acordo com a docente, o alcance das redes sociais amplifica o dano à imagem, e a distância física das telas muitas vezes reduz a empatia de quem agride. As marcas dessas experiências podem ser profundas, refletindo na vida adulta como dificuldades de autoconfiança e transtornos de ansiedade. "As marcas do bullying não desaparecem com o fim do período escolar, elas costumam se enraizar na estrutura da personalidade do indivíduo".

Também é fundamental olhar para o papel dos espectadores, que muitas vezes atuam como um combustível desse ciclo. Quando o grupo se cala ou reage com risos, acaba, mesmo que sem intenção, validando a conduta violenta e isolando ainda mais quem sofre. Conforme destaca Cristiane Silvestre, "o bullying se alimenta da plateia. Quando os colegas deixam de ser espectadores passivos para se tornarem defensores ativos, a dinâmica de poder se quebra e o ambiente deixa de ser fértil para a intimidação". Portanto, desmobilizar o agressor por meio da desaprovação coletiva é um dos passos mais eficazes para transformar a cultura da escola ou do trabalho em uma verdadeira rede de proteção.

Romper esse ciclo exige coragem para quebrar o silêncio, compreendendo que a denúncia é, acima de tudo, um ato de proteção coletiva. No âmbito escolar, os pais ou a própria vítima devem procurar a coordenação ou o conselho tutelar, exigindo a aplicação da Lei 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática no Brasil. Silvestre orienta que, em casos de agressões virtuais, é vital não apagar as mensagens e registrar provas por meio de prints. Além dos canais institucionais, o Brasil conta com o suporte do Disque 100, um canal gratuito para denunciar violações de direitos humanos. "A denúncia deve ser vista como um ato de proteção e nunca de fofoca", pontua a psicóloga.

Promover um ambiente seguro e otimista é um compromisso diário de todos nós. Ao fortalecermos nossa empatia e entendermos os limites do outro, transformamos o local de convivência em um espaço de acolhimento e crescimento. Que possamos levar esse aprendizado para além das datas do calendário, transformando a conscientização em atitudes práticas de apoio mútuo. Afinal, onde existe respeito e diálogo, não há espaço para a intimidação. Juntos, somos responsáveis por garantir que o bem-estar emocional seja a nossa prioridade constante.
 

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