Sou a aluna Bianca Brancatelli, vim contar um pouco da minha experiência na École d'arqchitecture de Paris Val-de-Seine, uma faculdade de arquitetura repleta de diversidade cultural e vivências externas.

O programa de Fluxo Contínuo significou uma mudança não somente no âmbito acadêmico e de crescimento profissional, foi a oportunidade de evoluir nos meus aspectos pessoais e superar expectativas que jamais imaginei.

Quando mudamos nossas perspectivas culturais percebemos as diferentes compreensões de mundo, como estudante de Arquitetura e Urbanismo a oportunidade de estudar na ENSA Paris Val de Seine foi muito além disso, foi perceber as questões da vivência francesa, da bagagem cultural que eles carregam, das conquistas e das perdas históricas, foi compreender que um edifício não somente exerce sua função no espaço, mas muito além isso, ele é o retrato da própria história europeia.Morar em Paris foi o significado de possibilidades, experiências e acessibilidade. A cidade reformulada pelo Plano urbanístico de Haussmann do século 19 oferece oportunidades jamais vivenciadas, além de estar localizado no centro da Europa, com uma trama de transporte público muito bem desenvolvido, ela é a capital da arquitetura, cercada de museus, exposições, monumentos históricos e edifícios icônicos. Nela você consegue desenvolver um pensamento crítico a respeito da cidade para todos, de novas ideias e novas perspectivas. Além disso, o incentivo ao acesso a cultural é tão importante que residentes europeus (estudantes estrangeiros residentes na Europa) com menos de 26 anos tem gratuidade e descontos em quase todos os pontos turísticos e culturais da cidade.Durante minha experiência em Paris pude compreender como a preservação da história é importante, o valor e a carga cultural que carregam. Muito comparei com a minha cidade natal, São Paulo, ambas como metrópoles globais oferecem toda sua cultura e vivência, mas a forma como é disposta cada uma delas é o que as diferenciam, o valor que damos para cada passo no desenvolvimento da arquitetura e todas as suas questões mais internas.

Estudar na ENSAPVS foi poder ter a liberdade de escolher as matérias de acordo com meus interesses. Sempre sonhei em estudar Restauro e Patrimônio, minhas expectativas eram grandes em relação ao tema, a cada aula eu me surpreendia mais. Tive a oportunidade de ter aulas ministradas no Museu do Louvre, na Cidade de Arquitetura (e entrar em contato com modelos de Viollet Le Duc, o percursor teórico da preservação de patrimônio), no Castelo medieval de Vincennes, tudo guiado por professores extremamente incríveis. Foi meu maior aprendizado, as formas como eles se preocupam com a preservação e restauração da história.

Não somente isso, pude perceber como a questão de Projeto é semelhante no Brasil, estamos acostumados com o tarefismo, cobrança e a cumprir datas extremamente curtas. Isso não muda muito em Paris, entendo que seja algo especifico das faculdades de Arquitetura, mas que podemos sempre evoluir e lidar de uma forma mais saudável com a questão. Como intercambista pude escolher matérias de diferentes domínios, o que favoreceu muito meu aprendizado e me possibilitou novas visões dentro da arquitetura, além disso pude compreender a importância no desenvolvimento de um modelo físico nas apresentações de projeto, algo que não damos tanto valor no Brasil, pude assim desenvolver maquetes melhores e entender as diferentes técnicas para a elaboração.

Em resumo, todo apoio oferecido pela ENSAPVS foi de extrema importância, a infraestrutura da faculdade, o acolhimento dos alunos e dos responsáveis pelos estudantes estrangeiros, os professores sempre preocupados em ajudar e esclarecer dúvidas fizeram a experiencia ser ainda melhor. Apesar das dificuldades de qualquer intercambista, tanto com a língua, costumes e pensamentos, cada passo era uma evolução interna, e o reflexo disso foi a formação de um pensamento critico a respeito de muitas questões culturais diferentes, além de uma importante fase na minha vida estudantil.